Cidades • 08:40h • 20 de setembro de 2026
Cemitério de Assis pode esgotar espaços em 30 meses, mas Prefeitura ainda não sabe quantas vagas restam
Município reconhece que estimativa ainda não tem estudo técnico localizado, não informa quantos jazigos estão disponíveis e admite que eventual ampliação depende de estudos e projeto ainda inexistentes
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Arquivo/Âncora1
O Cemitério Municipal da Saudade, em Assis, pode enfrentar falta de espaços para novos sepultamentos em aproximadamente 30 meses, mas a própria Prefeitura ainda não sabe quantas vagas estão efetivamente disponíveis nem possui estudo técnico concluído para uma futura ampliação. As informações constam da resposta ao Requerimento nº 648/2026, apresentado pelo vereador Fernando Kiko, que pediu esclarecimentos sobre a capacidade atual e o planejamento do município para evitar o esgotamento do cemitério.
O dado mais amplo disponível aponta aproximadamente 12.960 espaços destinados a sepultamentos. Esse número, porém, representa o cadastro administrativo apresentado pela Prefeitura e não a quantidade de vagas livres. A direção do cemitério iniciou um levantamento físico e cadastral para classificar os espaços entre ocupados, disponíveis, reservados, em utilização ou dependentes de regularização.
Por esse motivo, o Executivo não conseguiu responder quantos espaços estão atualmente livres e em condições imediatas de receber novos sepultamentos. Também considerou tecnicamente inadequado estimar quantos sepultamentos ainda poderão ser realizados antes da conclusão dessa conferência.
Prazo de 30 meses ainda não tem estudo técnico localizado
A estimativa de que os espaços possam se esgotar em aproximadamente 30 meses já havia sido informada pela administração, mas a resposta ao requerimento revela que o município ainda procura identificar como esse prazo foi calculado.
Segundo o documento, a atual direção está buscando a metodologia, os dados históricos e os parâmetros utilizados para chegar à projeção. Também será feita consulta aos registros administrativos para verificar se existe relatório, parecer, estudo, planilha ou levantamento que tenha formalizado a estimativa.
Um dado encontrado posteriormente ajuda a dimensionar a movimentação do cemitério. Em 2025 foram registrados 930 sepultamentos, média aproximada de 77,5 por mês. A própria Prefeitura ressalva, entretanto, que simplesmente projetar essa média não permite calcular a capacidade restante, porque é necessário considerar vagas realmente livres, jazigos ocupados, áreas disponíveis, exumações e possibilidades legais de reutilização.
Cerca de 5% dos jazigos podem estar abandonados
Outro ponto levantado pelo vereador envolve aproximadamente 5% dos jazigos que teriam sido identificados como abandonados, sem manutenção ou sem responsáveis conhecidos.
A Prefeitura informou que está estruturando um levantamento específico para identificar, individualizar e atualizar a situação cadastral desses espaços. Ainda não existe um número definitivo resultante dessa análise.
A eventual retomada ou reutilização também não é automática. Segundo a resposta, qualquer medida precisa respeitar a legislação, identificar corretamente o jazigo, realizar levantamento cadastral, promover as notificações necessárias e preservar os direitos dos responsáveis e familiares. Somente depois desses procedimentos será possível saber quantos espaços poderão retornar à utilização.
Existe terreno para ampliar, mas ainda não há projeto
A Prefeitura confirmou que existe uma área adjacente ao Cemitério Municipal da Saudade que poderá ser utilizada futuramente para ampliação. A existência do terreno, entretanto, não significa que novas vagas possam ser abertas imediatamente.
O município informou que não possui, até o momento, estudo, projeto ou planejamento técnico formal concluído para ampliar o atual cemitério. Antes de utilizar a área será necessário analisar sua capacidade, elaborar projetos, estimar custos e definir cronograma, além de implantar infraestrutura como drenagem, redes de tubulação, acessos e outras adaptações técnicas.
Também não foram apresentados prazo de execução, custo estimado ou número de novas vagas que uma eventual expansão poderia oferecer.
Prefeitura lista prioridades, mas solução ainda não tem prazo
Diante da possibilidade de esgotamento, a direção do cemitério informou que pretende priorizar a atualização cadastral, o levantamento físico dos espaços, a identificação das vagas efetivamente disponíveis, a organização dos registros de sepultamentos e o tratamento administrativo de jazigos que necessitam de regularização.
Também estão previstas a consolidação de indicadores de demanda e a produção de dados técnicos para orientar decisões futuras. Somente com essa base, segundo a resposta, será possível avaliar com maior segurança alternativas como recuperação de espaços, regularização de jazigos, ampliação da estrutura existente, aquisição de outra área ou implantação de uma nova estrutura.
Assim, embora o prazo aproximado de 30 meses tenha colocado em evidência a capacidade do Cemitério Municipal da Saudade, o levantamento encaminhado ao vereador mostra que Assis ainda precisa responder questões básicas para dimensionar o problema. Quantas vagas realmente restam, quanto tempo elas suportarão a demanda atual e qual alternativa será adotada quando se aproximarem do limite continuam sem definição.
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