Saúde • 19:38h • 10 de junho de 2026
Casquinha que não some e ferida que insiste em voltar podem ser sinais de câncer de pele
Dermatologista alerta que lesões discretas, sem dor e aparentemente inofensivas estão entre os sinais mais comuns dos tumores de pele não melanoma
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Uma ferida que não cicatriza, uma casquinha que reaparece constantemente ou uma área áspera que parece apenas ressecamento podem esconder um problema mais sério do que muita gente imagina. Embora o melanoma costume receber mais atenção por ser o tipo mais agressivo da doença, os cânceres de pele não melanoma estão entre os tumores mais frequentes e, muitas vezes, começam de forma silenciosa.
O grupo inclui principalmente o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular, que costumam surgir em áreas expostas ao sol ao longo da vida, como rosto, couro cabeludo, orelhas, braços e mãos. Por não provocarem dor nos estágios iniciais, essas lesões frequentemente passam meses sem avaliação médica.
Segundo o dermatologista Dr. Matheus Rocha, um dos erros mais comuns é associar câncer de pele apenas a manchas escuras ou pintas com aparência alarmante. "Muita gente não relaciona câncer de pele a uma ferida que não cicatriza, a uma crosta recorrente ou a uma área áspera que sangra ocasionalmente. Como essas lesões nem sempre causam desconforto, é comum que a pessoa demore para procurar avaliação", explica.
Sinais que merecem atenção
Embora cada caso tenha características próprias, alguns sinais costumam aparecer com frequência e não devem ser ignorados. Entre eles estão feridas persistentes, lesões que descamam repetidamente, pontos que sangram com facilidade e manchas que mudam de aspecto ao longo do tempo.
Também merecem atenção áreas brilhantes, avermelhadas ou ásperas que permanecem por semanas sem apresentar melhora. Em muitos casos, esses sinais surgem justamente em regiões que acumulam anos de exposição solar.
Para Dr. Matheus Rocha, a persistência da lesão costuma ser um dos principais alertas. "Muitas vezes o paciente espera sentir dor ou observar um crescimento acelerado, mas o sinal mais importante costuma ser justamente o fato de a lesão não desaparecer", afirma.
Diagnóstico precoce faz diferença
Apesar de apresentarem, em geral, altas taxas de cura quando identificados precocemente, os tumores de pele não melanoma não devem ser encarados como problemas simples. Quando crescem sem tratamento, podem atingir estruturas vizinhas e exigir procedimentos mais complexos, especialmente em regiões delicadas do rosto.
"O carcinoma basocelular, por exemplo, raramente provoca metástase, mas pode destruir tecidos localmente e causar impactos importantes na qualidade de vida quando o diagnóstico demora", explica o especialista.
O carcinoma espinocelular também exige atenção, pois pode apresentar comportamento mais agressivo em determinadas situações. Por isso, a avaliação médica precoce continua sendo a melhor estratégia.
Como é feito o tratamento
O diagnóstico geralmente começa com exame clínico realizado pelo dermatologista e pode ser complementado por dermatoscopia e biópsia. A partir da confirmação do tipo de lesão, o tratamento mais comum é a remoção cirúrgica, embora outras abordagens possam ser indicadas conforme a localização e a extensão do tumor.
Além do acompanhamento médico, especialistas reforçam a importância da prevenção, com uso regular de protetor solar, proteção física contra a exposição excessiva ao sol e observação periódica da pele.
A recomendação é simples: qualquer ferida, crosta ou mancha que persista por semanas merece atenção. Muitas vezes, o câncer de pele não começa com uma aparência assustadora, mas justamente com sinais discretos que parecem inofensivos à primeira vista.
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