Saúde • 09:17h • 28 de janeiro de 2026
Casos de câncer de pele saltam de 4 mil para mais de 72 mil em 10 anos
Regiões Sul e Sudeste concentram as taxas mais elevadas da doença
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) indicam que os diagnósticos de câncer de pele no Brasil cresceram de forma expressiva na última década, passando de 4.237 casos em 2014 para 72.728 em 2024. A incidência é maior nas regiões Sul e Sudeste, que concentram as taxas mais elevadas da doença.
Em 2024, a média nacional foi de 34,27 casos por 100 mil habitantes, ligeiramente abaixo do pico registrado em 2023. Espírito Santo e Santa Catarina lideraram o ranking de incidência, seguidos por Rondônia, que se destacou fora do eixo Sul-Sudeste. Segundo a SBD, os números refletem fatores como maior exposição solar, predominância de pessoas de pele clara e envelhecimento da população.
No Norte e no Nordeste, as taxas continuam mais baixas, embora alguns estados tenham registrado aumento. Para a entidade, em locais historicamente com baixa notificação, o crescimento pode indicar avanços na vigilância epidemiológica, apesar de a subnotificação ainda ser um problema, especialmente em áreas remotas.
A SBD aponta que o aumento dos diagnósticos ficou mais evidente a partir de 2018, quando passou a ser obrigatório o preenchimento do Cartão Nacional de Saúde e do código da Classificação Internacional de Doenças em exames laboratoriais. Ainda assim, o acesso ao diagnóstico precoce segue desigual. Usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam mais dificuldade para conseguir consultas com dermatologistas em comparação com pacientes da rede privada.
Embora o número de consultas dermatológicas no SUS tenha se recuperado após a queda registrada durante a pandemia, chegando próximo aos níveis de 2019 em 2024, o volume ainda é bem inferior ao da saúde suplementar, onde os atendimentos são significativamente maiores. Essa diferença, segundo a SBD, amplia a chance de diagnóstico precoce entre usuários do setor privado.
A desigualdade de acesso também impacta o tratamento. Em casos diagnosticados tardiamente, os pacientes costumam precisar de procedimentos mais complexos. Além disso, há concentração de serviços de alta complexidade em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, enquanto outras regiões contam com estrutura limitada, o que contribui para diagnósticos mais avançados.
Os dados mostram ainda que o tempo entre diagnóstico e início do tratamento é menor no Sul e Sudeste, enquanto no Norte e Nordeste a espera frequentemente ultrapassa dois meses, aumentando o risco de agravamento da doença. Diante desse cenário, a SBD defende medidas urgentes, como ampliar a prevenção, melhorar o acesso ao diagnóstico precoce e facilitar o acesso ao protetor solar.
A entidade informou que encaminhou essas informações ao Congresso Nacional e pretende defender a inclusão do filtro solar como item essencial na Reforma Tributária, com o objetivo de reduzir custos e ampliar o acesso da população ao produto, além de fortalecer as políticas públicas de prevenção e controle do câncer no SUS.
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