Saúde • 13:43h • 27 de abril de 2026
Canetas emagrecedoras: entenda quando o uso pode fazer mal à saúde
Sbem alerta para mercado ilegal e doenças como pancreatite
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve analisar, nesta semana, uma proposta de instrução normativa que estabelece procedimentos e requisitos técnicos para medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras.
A crescente popularização desses medicamentos — que incluem princípios ativos como semaglutida, tirzepatida e liraglutida — tem levado ao aumento do uso indiscriminado e também à expansão do mercado ilegal. Atualmente, esses produtos só podem ser adquiridos com prescrição médica.
Diante dos riscos à saúde, a Anvisa vem adotando medidas para combater a comercialização irregular, incluindo versões manipuladas sem autorização. A agência também criou grupos de trabalho para reforçar o controle sanitário e garantir maior segurança aos pacientes.
Neste mês, a Anvisa firmou uma carta de intenção com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF) para incentivar o uso racional e seguro desses medicamentos. A iniciativa prevê ações conjuntas, com troca de informações, alinhamento técnico e campanhas educativas, com o objetivo de reduzir riscos sanitários e proteger a população.
Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Neuton Dornelas, destacou que os medicamentos representam um avanço importante no tratamento da obesidade e do diabetes, mas alertou para os perigos do uso sem controle. Segundo ele, apesar de eficazes e inovadores, o consumo indiscriminado pode trazer consequências graves.
Dornelas citou dados da própria Anvisa que apontam inconsistências na importação de insumos para manipulação dessas canetas. Apenas no segundo semestre de 2025, mais de 100 quilos de insumos foram importados — volume suficiente para produzir cerca de 20 milhões de doses. No mesmo período, foram apreendidos 1,3 milhão de medicamentos com algum tipo de irregularidade, seja no transporte, armazenamento ou origem.
Para o especialista, o cenário é preocupante e reforça a necessidade de evitar a compra de medicamentos sem registro ou de procedência duvidosa. Ele também defendeu medidas mais rígidas, como a suspensão temporária da manipulação dessas substâncias, diante da dificuldade de fiscalização em larga escala.
O médico lembrou ainda que, desde junho do ano passado, farmácias e drogarias passaram a reter as receitas desses medicamentos, como forma de conter o uso indiscriminado, impulsionado principalmente pelo mercado paralelo.
Sobre os benefícios, Dornelas explicou que os medicamentos atuam em três frentes: ajudam a controlar a glicose, retardam o esvaziamento gástrico — aumentando a sensação de saciedade — e atuam no cérebro, reduzindo o apetite. Com isso, promovem redução significativa de peso, que pode chegar a cerca de 15% com a semaglutida e até 25% com a tirzepatida, dependendo do caso e do acompanhamento médico.
Apesar dos resultados, ele alertou que o uso pode provocar efeitos colaterais, como náuseas, vômitos e outros sintomas gastrointestinais. Em situações mais graves, a Anvisa já identificou casos de pancreatite, condição que pode estar associada ao uso desses medicamentos em alguns pacientes.
Segundo o especialista, o risco aumenta quando há uso sem orientação médica ou com produtos de origem irregular. Ele destacou ainda que o retardo do esvaziamento gástrico pode favorecer a formação de cálculos na vesícula, o que também pode elevar o risco de pancreatite.
Para garantir o uso seguro, especialistas recomendam seguir quatro pilares: utilizar apenas medicamentos regularizados no Brasil; contar com prescrição e acompanhamento médico; adquirir o produto em farmácias confiáveis; e respeitar as doses indicadas, evitando compras no mercado ilegal.
O médico também ressaltou que nem todos os pacientes apresentam efeitos colaterais e que a ausência de sintomas não significa falta de eficácia. No entanto, sinais como dor abdominal intensa, especialmente na parte superior do abdômen, devem ser observados com atenção, pois podem indicar complicações mais sérias.
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