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Saúde • 13:39h • 25 de janeiro de 2026

Canabidiol amplia debate sobre cuidado e qualidade de vida no Transtorno do Espectro Autista

Estudos científicos e relatos clínicos apontam o canabidiol como terapia complementar no manejo de sintomas, sempre com prescrição e acompanhamento médico

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Uso medicinal da cannabis no autismo avança com respaldo científico e acompanhamento médico
Uso medicinal da cannabis no autismo avança com respaldo científico e acompanhamento médico

O uso da cannabis medicinal no cuidado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem ganhado destaque no debate científico e clínico, especialmente pelo potencial do canabidiol no manejo de sintomas como irritabilidade, agitação, ansiedade, distúrbios do sono e dificuldades de interação social. O tema reúne evidências científicas, experiências médicas e relatos de famílias que buscam alternativas complementares para melhorar a qualidade de vida de crianças e adultos no espectro.

O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que se manifesta de forma diversa, impactando comunicação, comportamento, socialização e processamento sensorial. De acordo com o Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 2,4 milhões de brasileiros convivem com o espectro, enfrentando desafios que se estendem às famílias e cuidadores.

Pesquisas publicadas em revistas internacionais de neurologia e psiquiatria indicam que o canabidiol pode auxiliar na redução de sintomas associados ao TEA, sobretudo quando utilizado como terapia adjuvante, em conjunto com intervenções multidisciplinares e acompanhamento médico especializado. Estudos observacionais apontam melhora no bem-estar e na funcionalidade, sem substituir terapias convencionais.

Para Adam Alborta, clínico geral, intervencionista do SAMU e médico canabinoide, o canabidiol tem se consolidado como uma abordagem complementar no cuidado de pessoas com TEA. “Embora não represente uma cura e nem substitua terapias convencionais, o canabidiol vem sendo estudado como um facilitador biológico, capaz de ajudar o organismo a encontrar equilíbrio e favorecer melhores respostas aos tratamentos”, avalia.

Autismo, homeostase e o sistema endocanabinoide

Segundo Alborta, o autismo pode ser compreendido como uma descompensação da homeostase, mecanismo responsável por manter o equilíbrio das funções fisiológicas do corpo. “É como se o organismo tivesse dificuldade de se manter no eixo. O canabidiol entra como um suporte para ajudar esse corpo a buscar novamente o equilíbrio”, explica.

O médico destaca o papel do sistema endocanabinoide, presente em todos os seres humanos e envolvido na regulação do humor, do sono, do apetite, da dor, da resposta inflamatória e da excitabilidade neural. A interação do canabidiol com esse sistema pode contribuir para reduzir a irritabilidade e a excitação excessiva, favorecendo maior abertura para a socialização e o aprendizado.

Alborta reforça que o uso do canabidiol não substitui terapias como fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional ou acompanhamento pedagógico. “O CBD não substitui nenhuma terapia. Ele cria um ambiente biológico mais favorável para que as intervenções tenham melhores resultados”, afirma.

A experiência pessoal no tratamento

Além da atuação profissional, Alborta acompanha o tema de forma pessoal. Sua filha, Ana Mel Alborta, hoje com 4 anos, recebeu diagnóstico de TEA com grau 1 de suporte, associado a TDAH avançado e altas habilidades. À época do diagnóstico, a criança era não verbal, comunicando-se apenas por gestos. Após decisão médica criteriosa, ele optou pela introdução do canabidiol no tratamento.

“Estudo o canabidiol há dois anos e escolhi para minha filha aquilo que considerei mais seguro, com menos efeitos colaterais do que medicamentos tradicionais”, relata. Segundo ele, ao longo de sete meses de uso, a criança desenvolveu a fala e passou a se comunicar de forma verbal. “Hoje ela dialoga, argumenta e se expressa. É uma mudança que impacta toda a dinâmica familiar”, afirma.

Cannabis medicinal e a desmistificação do THC

Alborta também chama atenção para o estigma em torno da cannabis medicinal, especialmente em relação ao tetrahidrocanabinol (THC). Segundo ele, em doses terapêuticas e sob prescrição, o composto pode ter efeito anestésico e relaxante, auxiliando no controle de compulsões e da excitabilidade. Para o médico, a medicina canabinoide representa uma mudança de paradigma no cuidado em saúde.

Do uso pessoal ao empreendedorismo

Outro relato é o de Michele Farran, sócia da Cannabis Company, primeira farmácia do Brasil especializada em cannabis medicinal com pronta entrega. Também no espectro autista, Michele utiliza o canabidiol para amenizar sintomas como ansiedade, sobrecarga sensorial e dificuldades de autorregulação emocional, além do controle de sintomas da artrite reumatoide, condição com a qual convive há mais de uma década.

A experiência pessoal foi determinante para sua trajetória profissional. “Conviver com o TEA me levou a buscar alternativas que realmente melhorassem minha qualidade de vida. O canabidiol foi um divisor de águas. Empreender nesse segmento é transformar minha história em acolhimento e acesso para outras pessoas”, afirma.

Ciência, cuidado e responsabilidade

O avanço das pesquisas e dos relatos clínicos reforça que o canabidiol pode ser uma ferramenta relevante no cuidado de pessoas com TEA, desde que utilizado com responsabilidade, prescrição médica e acompanhamento contínuo. Especialistas ressaltam que a medicina canabinoide amplia possibilidades terapêuticas, mas exige avaliação individualizada e integração com outras formas de tratamento, sempre com foco no bem-estar, na autonomia e na qualidade de vida.

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