Variedades • 14:13h • 21 de fevereiro de 2026
Caminhos paulistas do SUS: como São Paulo ajudou a moldar a saúde pública no Brasil
Experiências pioneiras em gestão, descentralização e participação popular influenciaram a criação do sistema universal
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Butantan | Foto: Museu de Saúde Pública Emílio Ribas (MUSPER)/Instituto Butantan
Na década de 1980, enquanto o Brasil avançava rumo à redemocratização, o estado de São Paulo se consolidava como um laboratório de experiências inovadoras em saúde pública. Muitas dessas iniciativas ajudaram a estruturar o Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Constituição de 1988 e considerado uma das maiores conquistas sociais do país.
Essa trajetória é tema do projeto SUS – Trajetória da Saúde em São Paulo: Instituições, Ideias e Atores, desenvolvido pelo Museu de Saúde Pública Emílio Ribas (MUSPER) em parceria com o Instituto Butantan e o Instituto de Saúde estadual. A iniciativa reúne documentos, infográficos e depoimentos que resgatam experiências realizadas entre 1983 e 1994.
Antes mesmo do SUS, São Paulo já promovia reformas para reorganizar a gestão sanitária. Desde os anos 1960 e 1970, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo investia na regionalização dos serviços e na integração entre unidades, buscando aproximar a administração das necessidades locais.
Nos anos 1980, essas mudanças ganharam força com programas que testaram novos modelos de organização do sistema. Entre eles, destacam-se as Ações Integradas de Saúde (AIS), que ampliaram o atendimento e unificaram ações de prevenção e assistência, e o Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS), que deu maior autonomia administrativa e financeira aos municípios.
Outro marco foi o Programa Metropolitano de Saúde, que expandiu a rede básica na Grande São Paulo e integrou hospitais e unidades de saúde por território. A criação dos Escritórios Regionais de Saúde também fortaleceu a gestão descentralizada e facilitou a articulação entre estado e municípios.
Além das mudanças administrativas, São Paulo se destacou por iniciativas que aproximaram a população das políticas públicas. Experiências comunitárias, conselhos locais e projetos de agentes de saúde ampliaram a participação social e influenciaram a construção da atenção primária no país.
O estado também antecipou políticas que mais tarde seriam adotadas nacionalmente, como a reforma psiquiátrica, a vigilância em saúde do trabalhador e a padronização de sistemas de informação epidemiológica.
Essas experiências mostram que o SUS não surgiu de forma isolada, mas foi resultado de um processo histórico construído a partir de iniciativas locais e regionais. Mais de três décadas depois de sua criação, especialistas apontam que os desafios permanecem, mas reforçam que o fortalecimento do sistema depende da manutenção de princípios como universalidade, equidade e participação social.
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