Saúde • 15:48h • 23 de janeiro de 2026
Calor do verão eleva em até 30% os casos de pedra nos rins no Brasil
Desidratação, dieta rica em sal e açúcar e consumo elevado de proteínas explicam aumento de até 30% nos atendimentos por cálculo renal
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Central Press | Foto: Arquivo/Âncora1
Com as altas temperaturas, o verão acende um sinal de atenção que vai além dos cuidados com a exposição solar. Nos meses mais quentes, a incidência de cálculo renal, popularmente conhecido como pedra nos rins, cresce de forma consistente nos serviços de urgência. Estimativas indicam que cerca de 15% da população mundial enfrenta o problema e que 1,5 milhão de brasileiros convivem com alguma disfunção renal.
Um levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem, em São Paulo, aponta aumento de até 30% nos atendimentos relacionados ao cálculo renal durante o verão.
Calor, desidratação e hábitos alimentares
A elevação dos casos está diretamente associada à combinação entre altas temperaturas e mudanças no estilo de vida. Segundo o médico nefrologista Alexandre Bignelli, coordenador do Serviço de Transplantes Renais do Hospital Universitário Cajuru, a desidratação é o principal fator desencadeante nesse período.
A perda excessiva de líquidos pelo suor, aliada à ingestão insuficiente de água, obriga os rins a concentrarem a urina. Quando isso ocorre, aumenta a chance de cristalização de sais minerais e formação dos cálculos. O quadro é agravado pelo consumo elevado de refrigerantes e bebidas açucaradas, além de dietas ricas em proteínas, sal e açúcar, comuns no verão.
“Nesse cenário, os rins trabalham sob sobrecarga para regular o equilíbrio hídrico do organismo, o que favorece a formação das pedras”, explica o especialista.
Dor intensa e evolução silenciosa
Um dos desafios do cálculo renal é que, na maioria das vezes, sua formação ocorre sem sintomas. As pedras podem se desenvolver de forma silenciosa até migrarem pelas vias urinárias. É nesse momento que surgem as crises dolorosas e as complicações.
O principal sinal de alerta é a cólica renal, caracterizada por dor intensa na região lombar, no baixo abdome ou irradiada para a genitália. Em situações mais graves, pode haver necessidade de internação, uso de medicação endovenosa e até procedimentos cirúrgicos, como a colocação de cateteres para drenagem urinária.
“Dores agudas nessas regiões exigem procura imediata por atendimento médico. Após o diagnóstico, o acompanhamento com um nefrologista é fundamental para definir o tratamento e evitar recorrências”, orienta Bignelli.
Quem corre mais risco no verão
Embora qualquer pessoa possa desenvolver cálculo renal, alguns grupos apresentam maior vulnerabilidade durante o calor intenso. Estão entre eles indivíduos com histórico familiar da doença, obesos, pessoas com diabetes, ácido úrico elevado e trabalhadores expostos a ambientes quentes. Praticantes de atividades físicas ao ar livre e idosos também merecem atenção especial, já que, com o avanço da idade, a sensação de sede tende a diminuir, favorecendo a desidratação.
Prevenção começa com hidratação
A principal medida preventiva é simples e acessível: manter um volume urinário aproximado de dois litros por dia. Para isso, a ingestão regular de água é indispensável. O consumo de sucos ricos em citrato, como limão, melão e laranja, também pode ajudar a proteger os rins.
Em contrapartida, recomenda-se reduzir o consumo de sal, proteínas animais, alimentos muito açucarados, chocolates e chá preto. “Pequenas mudanças de hábito fazem grande diferença, especialmente no verão, quando o risco é maior”, conclui o nefrologista.
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