Gastronomia & Turismo • 12:14h • 04 de outubro de 2026
Café seco com fogo direto perde qualidade em estudo que comparou três métodos
Estudo com café conilon encontrou grande diferença entre grãos secos ao sol, com ar quente e em equipamento a lenha com fogo direto
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Midiaria | Foto: Divulgação
A forma como o café é seco depois da colheita pode interferir diretamente no aroma, no sabor e na qualidade que chega à xícara. Uma pesquisa com grãos de café conilon encontrou diferenças expressivas entre três métodos de secagem e mostrou que condições inadequadas de calor, especialmente com exposição direta à fumaça e à fuligem, podem comprometer o resultado final da bebida.
O estudo foi desenvolvido por Diego Righi Benedicto, pesquisador e professor de Nutrição da Afya Centro Universitário Itaperuna, com grãos de conilon da variedade Vitória cultivados em Muqui, no Espírito Santo. As amostras foram submetidas à secagem natural ao sol, ao uso de ar quente a 35ºC e a um secador a lenha com fogo direto, que operou entre 50ºC e 60ºC.
Os resultados mostraram uma diferença considerável. O café seco ao sol em terreiro suspenso alcançou 81,1 pontos e classificação Fino. Com ar quente a 35ºC, a pontuação ficou em 79,96, com classificação Premium. Já o café submetido ao secador a lenha com temperaturas entre 50ºC e 60ºC obteve apenas 38 pontos, além de apresentar características negativas na avaliação sensorial.
Fumaça e fuligem também interferem no resultado
A pesquisa indica que a temperatura não é o único fator envolvido. Segundo Diego Righi, a maneira como o calor chega aos grãos e o ambiente de secagem também precisam ser considerados. No processo com fogo direto, a exposição à fumaça, à fuligem e a compostos formados durante a secagem esteve associada à perda expressiva de qualidade.
As análises identificaram ainda 32 compostos voláteis, substâncias relacionadas à formação dos aromas e de outras características percebidas durante o consumo. As diferenças encontradas permitiram relacionar determinadas condições de processamento às mudanças químicas dos grãos e à qualidade observada na degustação.
Etapa pode agregar ou retirar valor do café
A secagem é apenas uma das etapas percorridas pelo grão antes de chegar ao consumidor, mas os resultados mostram seu peso na qualidade final. Para o pesquisador, conhecer melhor o processamento pode ajudar produtores a aperfeiçoar métodos, reduzir perdas e agregar valor ao café brasileiro.
O trabalho recebeu menção honrosa no XII Fórum Internacional de Inovação Acadêmica do Consórcio STHEM Brasil. A pesquisa reforça que, entre a lavoura e a xícara, a maneira como o grão é tratado pode ser tão importante quanto a própria matéria-prima.
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