Responsabilidade Social • 17:07h • 12 de janeiro de 2026
Butantan esclarece cinco mitos sobre escorpiões que podem aumentar o risco de picada
Uso de produtos químicos, plantas ou práticas caseiras não funciona e pode agravar acidentes, alerta o instituto
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Governo de SP | Foto: Instituto Butantan/Divulgação
Os acidentes com escorpiões seguem em alta no Brasil e são cercados por mitos que, em vez de ajudar, aumentam o risco de picadas e dificultam o controle do animal. Em 2024, os escorpiões responderam por 198 mil dos 337 mil acidentes com animais peçonhentos registrados no país, segundo o Ministério da Saúde. No estado de São Paulo, foram 42 mil ocorrências no período. Diante desse cenário, o Instituto Butantan esclarece os principais equívocos sobre o combate ao aracnídeo e reforça orientações oficiais de prevenção.
A presença cada vez maior de escorpiões em áreas urbanas está ligada à adaptação da espécie ao ambiente das cidades, onde encontra alimento, como baratas, água e abrigo. Eles costumam se esconder em locais escuros e entram nas residências por ralos, tubulações, calhas e caixas de fiação sem vedação, inclusive em andares altos de prédios.
Segundo o aracnólogo Paulo Goldoni, tecnologista do Laboratório de Coleções Zoológicas do Butantan, a desinformação ainda é um dos principais fatores que contribuem para o aumento dos acidentes.

1. Produtos químicos e inseticidas não afastam escorpiões
O uso de vinagre, água sanitária, inseticidas ou pesticidas não é eficaz contra escorpiões. Além de não haver comprovação científica de eficiência em ambientes reais, esses produtos podem fazer com que o animal saia do esconderijo e se espalhe para outros locais da casa, elevando o risco de acidentes.
Outro ponto de atenção é que o estresse provocado pelos químicos pode favorecer a reprodução por partenogênese, quando a fêmea se reproduz sem fecundação. Cada reprodução pode gerar ao menos 20 filhotes, acelerando a proliferação.
A recomendação é eliminar possíveis abrigos, como entulhos e materiais de construção, reduzir a presença de baratas, instalar telas em ralos e evitar a eliminação de predadores naturais, como saruês e aves.
2. Não passe substâncias na picada nem faça torniquete
Práticas populares, como aplicar “garrafadas”, sugar o veneno ou fazer torniquete, não têm eficácia e podem agravar o quadro clínico. A orientação correta é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico imediato. Se possível, o animal deve ser fotografado ou levado ao serviço de saúde, sem risco para a vítima. A automedicação não é indicada.
3. Caixas de ovos não funcionam como armadilhas
Bandejas de ovos são usadas apenas por profissionais treinados para o transporte seguro de escorpiões vivos, como ocorre no biotério do Instituto Butantan. O material não deve ser utilizado pela população como armadilha caseira, pois não controla a infestação e pode provocar acidentes.
4. Não existem plantas que repelem escorpiões
Alecrim, arruda, lavanda ou citronela não afastam escorpiões. Não há comprovação científica de repelentes naturais contra o aracnídeo, que habita diferentes biomas e ambientes. A associação entre plantas e escorpiões ocorre apenas em casos específicos, sem relevância médica.
5. Galinhas não são solução para o controle
Apesar de serem predadoras naturais, as galinhas não são eficazes no controle urbano de escorpiões, já que têm hábitos diurnos, enquanto o aracnídeo é noturno. Além disso, a criação de aves em áreas urbanas exige autorização e pode gerar outros riscos sanitários, como a proliferação do mosquito-palha, transmissor da leishmaniose.

Encontrei um escorpião, o que fazer
A Secretaria de Estado da Saúde orienta que o animal nunca seja manipulado com as mãos, mesmo com luvas. Caso a pessoa se sinta segura, a captura deve ser feita com equipamentos de proteção, utilizando pinça longa ou graveto, colocando o escorpião em recipiente plástico liso e com tampa perfurada. O ideal é encaminhá-lo ao Centro de Controle de Zoonoses do município. Confira as orientações completas aqui.
Se não for possível capturá-lo, o animal pode ser eliminado com objeto rígido e longo. Mesmo morto, não deve ser descartado no lixo comum e pode ser encaminhado para análise e registro.
Para o Butantan, o registro dos casos é essencial. A notificação contribui para o mapeamento das áreas de risco e para o aprimoramento das estratégias de prevenção e controle, reduzindo a incidência de acidentes e complicações graves. Acesse o Manual de Controle aqui.
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