Saúde • 12:28h • 18 de maio de 2026
Brasil tem alta de Síndrome Respiratória Aguda Grave em bebês
Principal causa da doença é infecção pelo vírus sincicial respiratório
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre crianças menores de dois anos seguem em alta no Brasil, principalmente devido ao aumento das infecções pelo vírus sincicial respiratório (VSR). O vírus é o principal responsável pela bronquiolite, doença que provoca inflamação nas pequenas vias aéreas dos pulmões e afeta especialmente bebês nessa faixa etária. Nas demais idades, os registros de SRAG permanecem estáveis.
Nas últimas quatro semanas, o VSR respondeu por 41,5% dos casos de SRAG com diagnóstico positivo para vírus respiratórios. Na sequência aparecem a Influenza A, com 27,2%, e o rinovírus, com 25,5%.
Os dados fazem parte do Boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (14) pela Fundação Oswaldo Cruz.
O levantamento também aponta aumento dos casos de Influenza A nos três estados da Região Sul, além de Roraima e Tocantins, no Norte, e São Paulo e Espírito Santo, no Sudeste. O vírus da gripe foi responsável por 51,7% das mortes por SRAG com resultado positivo nas últimas quatro semanas, principalmente entre idosos.
O cenário coloca todos os estados brasileiros em situação de alerta. Em dez unidades da federação, o nível já é considerado de alto risco: Acre, Amazonas, Pará, Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraíba.
Além disso, 14 estados apresentam tendência de crescimento nos casos nas próximas semanas: Acre, Amazonas, Pará, Tocantins, Amapá, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
No fim do mês passado, a Organização Pan-Americana da Saúde alertou para o início do período de maior circulação de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, com destaque para a Influenza A H3N2 e o VSR.
A pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, reforçou a importância da vacinação para evitar complicações e mortes causadas pelos vírus respiratórios. Segundo ela, a imunização é a principal forma de proteção contra casos graves de Influenza A e VSR.
A vacina contra a gripe oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) protege contra a Influenza A e está disponível em todo o país, com prioridade para idosos, gestantes, crianças menores de 6 anos, pessoas com comorbidades e integrantes de grupos vulneráveis.
Já a vacina contra o VSR é indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, ajudando a proteger os bebês após o nascimento. O SUS também oferece um anticorpo monoclonal contra o VSR para bebês prematuros, considerados mais vulneráveis às complicações da doença. Diferentemente da vacina, o medicamento já contém anticorpos prontos para combater o vírus.
Em 2026, o Brasil registrou 57.585 casos de SRAG, dos quais 45,7% tiveram confirmação para algum vírus respiratório. O rinovírus foi o mais frequente ao longo do ano, presente em 36,1% das amostras analisadas, seguido pela Influenza A (26,3%), VSR (25,3%) e covid-19 (7,4%).
Entre as 2.660 mortes registradas por SRAG neste ano, 1.151 tiveram resultado laboratorial positivo. A Influenza A foi responsável por 39,6% desses óbitos, seguida pela covid-19, com 26%, rinovírus, com 21,3%, e VSR, com 6,4%.
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