Responsabilidade Social • 13:22h • 05 de fevereiro de 2026
Brasil registrou 84,7 mil desaparecidos em 2025; média de 232 por dia
O total de pessoas localizadas também vem aumentando ano a ano
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
O Brasil registrou 84.760 casos de pessoas desaparecidas em 2025, uma média de 232 ocorrências por dia. O número representa alta de 4,1% em relação a 2024, quando foram contabilizados 81.406 registros, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
Desde 2015, o total anual de desaparecimentos só apresentou queda em 2020 e 2021, período marcado pelas restrições da pandemia de covid-19, que dificultaram o registro de ocorrências e ampliaram a subnotificação. Especialistas avaliam que a redução naquele momento não refletiu melhora do cenário, mas sim menor acesso da população às delegacias.
O número de pessoas localizadas também cresceu. Em 2025, 56.688 pessoas foram encontradas, aumento de 2% em relação a 2024 e de 51% na comparação com 2020. De acordo com especialistas, o avanço está ligado tanto ao maior volume de casos quanto à melhoria gradual das estratégias de busca e da integração de dados entre órgãos públicos.
Ainda assim, pesquisadores alertam que os números oficiais não retratam toda a dimensão do problema. Muitos desaparecimentos estão associados a crimes como feminicídio, tráfico de pessoas, trabalho análogo à escravidão e ocultação de cadáveres. Em alguns contextos, familiares deixam de registrar ocorrência por medo, desconhecimento ou dificuldade de acesso aos serviços públicos, o que reforça a subnotificação.
Quase um terço dos desaparecidos em 2025 tinha menos de 18 anos. Foram 23.919 registros envolvendo crianças e adolescentes, alta de 8% em relação a 2024. Entre os menores de idade, a maioria dos casos envolve meninas, enquanto, no total geral, os homens representam 64% das pessoas desaparecidas.
A Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, criada em 2019, é considerada um avanço inicial, mas ainda enfrenta dificuldades na implementação. O Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, principal instrumento da política, só foi criado em 2025 e conta, até o momento, com a adesão de 12 estados. A fragmentação de dados e a falta de integração entre sistemas estaduais continuam sendo apontadas como entraves para a localização de pessoas.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública reconhece a subnotificação e afirma que o aumento registrado não indica, necessariamente, crescimento real dos casos. A pasta informou que trabalha para ampliar a adesão dos estados ao cadastro nacional, capacitar profissionais e fortalecer ações de coleta de DNA e campanhas de conscientização, com a expectativa de integrar todas as unidades da federação até o primeiro semestre de 2026.
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