Saúde • 10:41h • 08 de fevereiro de 2026
Brasil pode registrar 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, aponta INCA
Estimativa oficial para o triênio 2026-2028 mostra avanço da doença, aproxima câncer das cardiovasculares como principal causa de morte e reforça peso dos fatores evitáveis
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Digital Trix | Foto: Divulgação
O Brasil poderá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo a Estimativa 2026 - Incidência de Câncer no Brasil, divulgada nesta terça-feira (4), Dia Mundial do Câncer, pelo Instituto Nacional de Câncer. Ao excluir os tumores de pele não melanoma, analisados separadamente por sua alta incidência e baixa letalidade, o número cai para aproximadamente 518 mil casos anuais.
Os dados consolidam o câncer como uma das principais causas de morbimortalidade no país e indicam aproximação das doenças cardiovasculares como principal causa de morte. O avanço está associado ao envelhecimento da população, à exposição contínua a fatores de risco evitáveis e às desigualdades no acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce, com variações importantes entre regiões.
A nova estimativa representa crescimento em relação ao triênio anterior e acompanha a tendência global já indicada pela Organização Mundial da Saúde, que projeta aumento expressivo da carga mundial de câncer nas próximas décadas.
Tumores mais incidentes no país
Excluindo o câncer de pele não melanoma, os tipos mais frequentes estimados para 2026 são:
- Mama feminina, 78.610 casos por ano, 15,2%
- Próstata, 77.920, 15,0%
- Cólon e reto, 53.810, 10,4%
- Traqueia, brônquio e pulmão, 35.380, 6,8%
- Estômago, 22.530, 4,3%
Entre as mulheres, predominam os cânceres de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide. Entre os homens, lideram próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. O câncer colorretal se destaca por figurar entre os mais incidentes em ambos os sexos, reforçando a necessidade de ampliar ações de prevenção, rastreamento e diagnóstico oportuno.
O câncer do colo do útero, altamente prevenível por vacinação contra o HPV e detecção precoce, segue em posição crítica. É a segunda neoplasia mais incidente nas regiões Norte e Nordeste e a terceira no Centro-Oeste e Sudeste, evidenciando desigualdades estruturais no acesso às políticas de saúde.
Fatores evitáveis e desigualdades regionais
Especialistas apontam que o crescimento reflete tendências conhecidas. Para Carlos Gil Ferreira, diretor médico da Oncoclínicas e presidente do Instituto Oncoclínicas, o envelhecimento populacional pesa, mas a exposição a fatores evitáveis segue decisiva, como sedentarismo, obesidade, alimentação inadequada e tabagismo, agora agravados pela expansão do cigarro eletrônico entre jovens.
O recorte regional revela padrões distintos. No Sul e Sudeste, predominam tumores associados ao estilo de vida urbano, como mama, próstata e colorretal. No Norte e Nordeste, ganham peso neoplasias ligadas a condições preveníveis, como colo do útero e estômago, associadas a infecções, saneamento precário e menor cobertura vacinal. Entre homens dessas regiões, o câncer gástrico aparece com maior relevância, enquanto tumores relacionados ao tabaco são mais frequentes no Sul e Sudeste.
Casos em adultos jovens entram no radar
Outro alerta é o aumento da incidência em pessoas com menos de 50 anos, fenômeno observado internacionalmente e em consolidação no Brasil. Tumores antes mais comuns em idades avançadas, especialmente o colorretal, têm surgido em pacientes na faixa dos 30 e 40 anos, movimento associado a alimentação ultraprocessada, obesidade precoce, sedentarismo e exposições ambientais.
Prevenção como estratégia central
O INCA reforça que parcela significativa dos casos poderia ser evitada com medidas conhecidas. Vacinação contra HPV, controle do tabaco, alimentação saudável, atividade física regular e rastreamento organizado são estratégias-chave para frear a curva da doença. Nas regiões mais vulneráveis, as infecções seguem como fator relevante, e mais de 90% dos casos de câncer do colo do útero estão associados ao HPV, o que torna a ampliação da cobertura vacinal prioridade.
Tratamento avança, acesso segue como desafio
A oncologia vive avanços terapêuticos, com imunoterapia, terapias-alvo e medicina de precisão ampliando as chances de controle e cura. O principal gargalo permanece o acesso, sobretudo no sistema público. Para tumores diagnosticados precocemente, as taxas de cura podem superar 70% e alcançar cerca de 90% no câncer de mama em estágio inicial, o que reforça a importância do diagnóstico oportuno.
Mais do que estatísticas, o relatório aponta para a necessidade de fortalecer políticas de prevenção, rastreamento e acesso ao tratamento, com foco em reduzir desigualdades regionais e salvar vidas.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas
Ciência e Tecnologia
Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento
Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar
Ciência e Tecnologia
3I/ATLAS surpreende e se aproxima da esfera de Hill de Júpiter com precisão inédita