Ciência e Tecnologia • 08:12h • 06 de abril de 2026
Brasil inicia estudo inédito para rastrear câncer de pulmão no SUS e reduzir mortes
Parceria entre INCA, Prefeitura do Rio e AstraZeneca quer criar diretriz nacional para diagnóstico precoce da doença que mais mata por câncer no país
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do INCA | Foto: Roberta Sampaio
O Instituto Nacional de Câncer (INCA), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e com financiamento da AstraZeneca, anunciou o início de um estudo inédito no Brasil para avaliar a viabilidade de implementar o rastreamento do câncer de pulmão no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa foi apresentada no dia 1º de abril, no Hospital Municipal Souza Aguiar, e tem como objetivo construir uma diretriz nacional para detecção precoce da doença.
O câncer de pulmão é atualmente a principal causa de morte por câncer no Brasil. Dados do INCA apontam que, em 2024, foram registrados 32.465 óbitos por tumores de brônquios e pulmão, número superior à soma das mortes por câncer de mama (20.849) e próstata (17.826). A alta mortalidade está diretamente ligada ao diagnóstico tardio, já que cerca de 84% dos casos são identificados em estágios avançados, com taxa de sobrevida em cinco anos de aproximadamente 5,2%.
Diretor-geral do INCA Roberto Gil, o Subsecretário Municipal de Atenção Hospitalar, Urgência e Emergência do RJ Daniel da Mata, e o Diretor medico da AstraZeneca Danilo Lopes, na assinatura do projeto | Foto: Roberta Sampaio
O estudo será conduzido ao longo de dois anos, com participação inicial de pelo menos 397 pacientes, podendo ser ampliado. A proposta é avaliar o uso da tomografia computadorizada de baixa dose como ferramenta de rastreamento em grupos de risco, especialmente fumantes e ex-fumantes. Evidências internacionais indicam que essa estratégia pode reduzir significativamente diagnósticos tardios, passando de cerca de 90% para 30% dos casos.
No Brasil, o rastreamento do câncer de pulmão ainda não integra diretrizes nacionais, o que torna a pesquisa estratégica para a saúde pública. A seleção dos participantes será feita em parceria com o Programa de Cessação de Tabagismo do município do Rio de Janeiro, que reúne cerca de 50 mil pessoas.
Segundo especialistas, aproximadamente 85% dos casos da doença estão associados ao consumo de derivados do tabaco. Estudos indicam que o rastreamento pode reduzir a mortalidade em até 20% e, quando combinado com a interrupção do tabagismo, essa redução pode chegar a 38%.
Autoridades presentes na cerimônia de lançamento do estudo. Na imagem à direita, Arn Migowski, médico epidemiologista da coordenação de pesquisa e inovação do INCA, apresenta o estudo | Foto: Roberta Sampaio
Os critérios para participação seguem recomendações de entidades médicas brasileiras e incluem pessoas entre 50 e 80 anos, fumantes ou ex-fumantes que tenham parado há até 15 anos e com histórico de consumo elevado ao longo da vida.
Pacientes diagnosticados durante o estudo serão encaminhados para tratamento no Hospital do Câncer I, unidade do INCA no Rio de Janeiro, referência nacional em oncologia dentro do SUS.
A iniciativa também busca responder a desafios específicos do Brasil, como a presença de outras doenças pulmonares, que podem interferir no diagnóstico por imagem. Por isso, a produção de dados nacionais é considerada essencial para orientar futuras políticas públicas.
O avanço do estudo ocorre em um cenário de crescimento dos casos de câncer no país. Estimativas do INCA indicam cerca de 781 mil novos diagnósticos por ano no triênio 2026-2028, reforçando a necessidade de estratégias voltadas à prevenção e detecção precoce.
A expectativa é que os resultados contribuam para reduzir a mortalidade e melhorar a eficiência do sistema público de saúde, ampliando o acesso ao diagnóstico em fases iniciais da doença.
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