Economia • 08:41h • 22 de outubro de 2026
Brasil bate recorde com 9,3 milhões de empresas inadimplentes e dívidas de R$ 244 bilhões
Levantamento da Serasa Experian mostra alta de 14,3% em um ano; São Paulo lidera o ranking nacional, enquanto micro e pequenas empresas concentram a maior parte das dívidas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Edelman | Foto: Divulgação
O Brasil atingiu um novo recorde de inadimplência empresarial em agosto de 2026, com 9,3 milhões de empresas negativadas, crescimento de 14,3% em relação ao mesmo mês de 2025. Segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (21) pela Serasa Experian, as empresas acumulavam 68,2 milhões de dívidas em atraso, que somavam R$ 244,4 bilhões. São Paulo liderou o ranking nacional, com mais de 3,1 milhões de CNPJs inadimplentes.
Os números revelam a dimensão das dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor empresarial. Em média, cada empresa negativada acumulava 7,4 dívidas, com valor total médio de R$ 26.355,13 por CNPJ. O valor médio de cada pendência era de R$ 3.583,96.
Embora o ritmo de crescimento anual da inadimplência tenha diminuído, o número de empresas com contas em atraso continua avançando. A variação, que anteriormente havia alcançado 28,7%, recuou para 14,3%, mas permaneceu em dois dígitos.
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a redução da taxa básica de juros ainda não foi suficiente para melhorar significativamente as condições financeiras das empresas. O crédito continua caro, enquanto os custos operacionais e a necessidade de capital de giro pressionam o caixa dos negócios.

Pequenos negócios concentram a maior parte das dívidas
As micro e pequenas empresas representam o grupo mais afetado pela inadimplência. Em agosto, 8,8 milhões de CNPJs desse segmento estavam negativados, acumulando 61,4 milhões de dívidas que totalizavam R$ 211 bilhões.
Cada micro ou pequena empresa inadimplente possuía, em média, sete contas em atraso, com dívida total média de R$ 23.902,98.
Para a Serasa Experian, esses negócios enfrentam maiores dificuldades para absorver aumentos de custos e oscilações econômicas, especialmente porque dependem de recursos para manter as operações e cumprir compromissos financeiros.
O levantamento também identificou crescimento de 11,2% na demanda empresarial por crédito no acumulado de 12 meses. As concessões de capital de giro de curto prazo avançaram 113,9%, movimento que, segundo a economista, indica maior utilização de empréstimos para sustentar o funcionamento das empresas.

Serviços e comércio lideram a inadimplência
Entre os setores econômicos, o de serviços concentrou 56% das empresas negativadas em agosto, seguido pelo comércio, com 32%.
A indústria respondeu por 8% dos registros, enquanto o setor primário representou 0,9%. Outros segmentos reuniram os 3,1% restantes.
Em relação à origem das dívidas, os principais credores estavam ligados a serviços, responsáveis por 31,7% das pendências, seguidos por bancos e cartões, com 19,7%, cooperativas, com 8,5%, serviços essenciais, como água e energia, com 6,7%, e telefonia, com 6,2%.
As instituições financeiras, incluindo bancos, cartões e financeiras, concentraram 24,4% dos registros de dívidas negativadas. Os demais 75,6% estavam relacionados a outros tipos de credores.
São Paulo tem mais de 3,1 milhões de empresas negativadas
O estado de São Paulo apresentou o maior número absoluto de empresas inadimplentes do país, com 3.173.156 CNPJs negativados em agosto.
Na sequência apareceram Minas Gerais, com 927.374 empresas, Rio de Janeiro, com 879.915, Paraná, com 613.012, e Rio Grande do Sul, com 539.319.
O levantamento da Serasa Experian evidencia que, apesar da desaceleração no ritmo de crescimento da inadimplência, o endividamento empresarial permanece elevado, principalmente entre os negócios de menor porte.
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