Responsabilidade Social • 10:34h • 29 de março de 2026
Bitucas de cigarro: 4,5 trilhões são descartadas por ano no mundo
Dados científicos de 55 países revelam níveis alarmantes de contaminação em ambientes urbanos e aquáticos
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Todos os anos, cerca de 4,5 trilhões de bitucas de cigarro são descartadas de forma irregular no mundo, tornando-se um dos resíduos mais comuns e menos percebidos da poluição ambiental. Isso equivale a aproximadamente 550 bitucas jogadas no ambiente por pessoa a cada ano.
Um levantamento que reuniu dados de 130 estudos realizados em 55 países entre 2013 e 2024 aponta que esses resíduos estão amplamente espalhados, com média de 0,24 bituca por metro quadrado em áreas urbanas e ambientes aquáticos — o que representa uma bituca a cada quatro metros quadrados. Em locais mais críticos, como praias muito frequentadas, esse número pode ultrapassar 38 bitucas por metro quadrado. Ao todo, o descarte anual chega a cerca de 766,6 milhões de quilos.
Áreas protegidas conseguem reduzir significativamente esse tipo de poluição, chegando a registrar até dez vezes menos contaminação do que regiões sem proteção. Ainda assim, nem mesmo parques e reservas estão livres do problema, já que correntes marítimas transportam resíduos de outras regiões.
O estudo, desenvolvido por pesquisadores brasileiros e internacionais, é o mais abrangente já feito sobre o tema e analisa a distribuição global das bitucas, seus impactos e as áreas mais afetadas. Segundo os pesquisadores, as substâncias tóxicas presentes nos filtros se espalham rapidamente, especialmente na água, podendo ser fatais para organismos aquáticos. Os cigarros contêm mais de 7 mil compostos químicos, sendo pelo menos 150 tóxicos.
Além disso, o filtro é feito de acetato de celulose, um tipo de plástico que demora muito tempo para se decompor e pode se fragmentar em microplásticos, contaminando a cadeia alimentar e chegando até os seres humanos.
O estudo também chama atenção para a relação entre o uso de filtros e estratégias de marketing da indústria do tabaco, que historicamente associou o produto a uma falsa ideia de menor risco à saúde. Especialistas destacam ainda que a responsabilidade pelo descarte não deve recair apenas sobre os fumantes, já que a própria indústria contribuiu para a desinformação ao sugerir que os filtros seriam biodegradáveis.
No mundo, são consumidos cerca de 12 trilhões de cigarros por ano, e uma grande parte das bitucas acaba nos oceanos, levada pela chuva e pelos rios. Praias, por concentrarem grande circulação de pessoas, acabam sendo pontos críticos de acúmulo desses resíduos, funcionando como verdadeiros “sumidouros” de lixo.
A análise identificou áreas com alta concentração de bitucas em diversos países, especialmente na América do Sul, no Oriente Médio e no Sudeste Asiático. Em algumas praias, mais da metade do lixo recolhido é composta por filtros de cigarro.

Os pesquisadores também criaram um índice para classificar o nível de contaminação por bitucas, mas alertam que ainda faltam dados em várias regiões do mundo, o que dificulta comparações mais amplas.
Mesmo em áreas protegidas, onde a contaminação é menor, ainda há registros significativos, especialmente em locais com turismo intenso e fiscalização limitada. Segundo os especialistas, apenas a criação de áreas de proteção não é suficiente — é necessário investir em educação ambiental, infraestrutura adequada e fiscalização.
O problema também está ligado aos desafios globais de redução da poluição plástica e aos objetivos de desenvolvimento sustentável. Em alguns locais, as bitucas chegam a representar mais da metade de todo o lixo coletado.
Diante desse cenário, os pesquisadores defendem medidas como restrições ao fumo em espaços públicos, campanhas de conscientização, melhorias na gestão de resíduos e maior responsabilização da indústria do tabaco.
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