Ciência e Tecnologia • 15:45h • 07 de setembro de 2026
Biometria facial vira alvo do “golpe do sósia”; veja como a nova fraude funciona
Nova fraude identificada pela Serasa Experian usa tecnologia de comparação de rostos para localizar identidades legítimas semelhantes às dos próprios golpistas
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
Uma nova modalidade de fraude identificada pela Serasa Experian inverte a lógica tradicional do roubo de identidade. No chamado “golpe do sósia”, criminosos usam ferramentas de comparação facial para procurar pessoas fisicamente parecidas com eles e, depois, tentam utilizar os dados dessas vítimas para passar por sistemas de biometria em cadastros e abertura de contas.
A estratégia foi identificada pela equipe de inteligência analítica da empresa e apresentada no Mapa da Fraude referente ao primeiro semestre de 2026. Em vez de partir dos dados de uma vítima específica e buscar maneiras de assumir sua identidade, o criminoso começa pelo próprio rosto e procura uma identidade legítima com alto grau de semelhança facial.
Segundo a Serasa Experian, ferramentas de comparação conseguem confrontar a imagem do fraudador com fotografias disponíveis em diferentes bases, inclusive obtidas de forma ilícita. Encontrada uma pessoa considerada suficientemente parecida, seus dados podem ser usados em uma tentativa de validação biométrica.
Rosto parecido pode não ser suficiente para detectar a fraude
A modalidade chama atenção para os riscos de utilizar o reconhecimento facial como única forma de autenticação. A recomendação é combinar a biometria com outros elementos capazes de apontar incompatibilidades entre a pessoa que aparece diante da câmera e a identidade apresentada.
Entre eles estão prova de vida, validação de documentos e dados cadastrais, análise do dispositivo utilizado e identificação de padrões de comportamento. Assim, mesmo que os rostos apresentem alta similaridade, outros sinais da operação podem indicar uma tentativa de fraude.
O alerta ocorre em um cenário de crescimento das fraudes de identidade. As soluções antifraude da Serasa Experian identificaram e barraram 2,86 milhões de tentativas no primeiro semestre de 2026, aumento de 32,9% em relação ao mesmo período de 2025. O volume corresponde a uma ocorrência de alto risco a cada 5,5 segundos.
As tentativas bloqueadas estavam associadas a um prejuízo estimado em R$ 3,77 bilhões.
Fotos de documentos e selfies exigem cuidado
Para reduzir a exposição, consumidores devem evitar publicar ou compartilhar fotos de documentos e selfies segurando documentos, inclusive por aplicativos de mensagens. Dados pessoais e biométricos devem ser fornecidos somente em sites e aplicativos oficiais.
Também é importante desconfiar de pedidos inesperados para realizar reconhecimento facial recebidos por links, e-mails, mensagens ou QR Codes, utilizar autenticação em dois fatores, manter celular e aplicativos atualizados e acompanhar movimentações relacionadas ao CPF.
Em caso de atividade desconhecida, a orientação é procurar diretamente os canais oficiais da empresa envolvida.
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