Economia • 13:14h • 03 de outubro de 2026
Bets perdem fluxo de R$ 600 milhões por dia e ainda têm R$ 1,45 bilhão de apostadores
Saldo mantido nas plataformas caiu 31% após proibição; usuários têm até segunda-feira, 5 de outubro, para solicitar o saque diretamente pelos sites e aplicativos
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
A movimentação diária das bets, estimada em mais de R$ 600 milhões antes da proibição das apostas de quota fixa, foi praticamente interrompida após as medidas adotadas pelo governo federal para encerrar as operações. Balanço divulgado nesta sexta-feira, 2 de outubro, mostra ainda que o dinheiro mantido pelos usuários nas plataformas caiu 31% desde 26 de setembro, passando de aproximadamente R$ 2,1 bilhões para R$ 1,453 bilhão.
A redução do saldo foi de R$ 652,6 milhões no período. Apesar dos saques já realizados, ainda permanecem R$ 1,453 bilhão vinculados a 28,65 milhões de CPFs, segundo os dados apresentados pelos ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
O prazo para que os usuários retirem diretamente esse dinheiro está terminando. Os apostadores devem solicitar o saque até 23h59 de segunda-feira, 5 de outubro, último dia de funcionamento dos sites e aplicativos.
Segundo Durigan, o impacto sobre as operações foi imediato. “Você teve aí um fluxo de R$ 600 milhões por dia que foi basicamente anulado depois da medida”, afirmou.
Fiscalização encontra 48 contas com mais de R$ 500 mil
O balanço também revelou valores elevados concentrados em algumas contas. A fiscalização identificou 48 contas com saldo superior a R$ 500 mil. Segundo o Ministério da Fazenda, cada caso será analisado individualmente e poderá ser encaminhado para investigação caso sejam encontrados indícios de irregularidades.
A ofensiva também alcançou sites que operavam ilegalmente. Entre 25 de setembro e 1º de outubro, 10.435 endereços de apostas foram encaminhados para bloqueio pela Anatel. De acordo com o Ministério da Justiça, cerca de 78 mil sites já haviam sido derrubados anteriormente.
A fiscalização passou a atingir também as empresas responsáveis pelas páginas e as instituições que processam os pagamentos. Quando forem identificadas operações ilegais, contas poderão ser bloqueadas e recursos associados às atividades poderão ser destinados à segurança pública depois dos procedimentos administrativos previstos em lei.
E se o apostador não retirar o dinheiro até segunda?
O encerramento das plataformas não significa que o saldo restante será automaticamente perdido. Entre 7 e 8 de outubro, as empresas deverão informar aos bancos quanto ainda pertence a cada apostador.
A devolução desses recursos está prevista para ocorrer entre 9 e 14 de outubro. Se o pagamento não for realizado nesse período, os valores serão transferidos à Caixa Econômica Federal, que ficará responsável pela restituição aos respectivos titulares.
O governo também ampliou a estrutura destinada à fiscalização. A Secretaria Nacional do Consumidor ganhou um Departamento de Fiscalização e Prevenção de Danos ao Consumidor, enquanto a Polícia Federal passou a contar com uma Coordenação-Geral de Repressão à Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos, incluindo áreas dedicadas às apostas ilegais e à manipulação de resultados esportivos.
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