Economia • 09:22h • 13 de setembro de 2026
Bets já afetaram 54% das mulheres brasileiras e vergonha dificulta busca por ajuda
Perdas financeiras, dívidas, conflitos familiares e desgaste emocional aparecem entre os impactos; vergonha ainda impede muitas mulheres de procurar ajuda
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Ministério das Mulheres | Foto: Arquivo/Âncora1
As apostas online já provocaram impactos diretos ou indiretos na vida de 54% das mulheres brasileiras, segundo a pesquisa “Mulheres e Bets: o Custo das Apostas Online para as Brasileiras e suas Famílias”. O levantamento mostra que os efeitos ultrapassam o dinheiro e alcançam relações familiares, confiança e saúde emocional.
Do total de entrevistadas, 42% afirmaram que já apostaram ou continuam apostando em plataformas online. Entre as 58% que nunca apostaram, 12% disseram sofrer consequências das apostas feitas por parentes ou amigos. A combinação desses dois grupos resulta nos 54% de mulheres atingidas de alguma maneira.
O levantamento foi conduzido pelo estúdio de inteligência de gênero CLARICE, com a consultoria Estratégia Latina e o Instituto de Pesquisa IDEIA.
Dinheiro perdido, conflitos e desgaste emocional
Entre as mulheres afetadas pelas apostas de alguém próximo, 25% relataram perdas financeiras, enquanto 24,2% mencionaram conflitos familiares e 23,5% apontaram perda de confiança. Dívidas apareceram nas respostas de 21,2% e desgaste emocional, em 20,5%.
A pesquisa também identificou que mulheres com filhos apostam 8% mais do que aquelas sem filhos. O resultado não estabelece a maternidade como causa do comportamento e pode envolver fatores como responsabilidades financeiras, desigualdades econômicas e sobrecarga relacionada ao trabalho de cuidado.
Os impactos também podem alcançar a saúde mental. Segundo o Ministério da Saúde, pessoas com problemas relacionados às apostas podem apresentar condições associadas, como transtornos de ansiedade e de humor, autolesão e risco de suicídio.
Vergonha dificulta procura por ajuda
Outro dado chama atenção: 65% das mulheres que quiseram parar de apostar não procuraram ajuda por vergonha. Entre aquelas que apostam ou já apostaram, 23% afirmaram não ter a quem recorrer.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento para pessoas com problemas relacionados às apostas e seus familiares. A procura pode começar pela Unidade Básica de Saúde (UBS), enquanto situações que necessitam de acompanhamento especializado em saúde mental podem ser encaminhadas aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Pelo Meu SUS Digital, também é possível fazer uma avaliação de risco relacionado às apostas e, quando indicado, acessar teleatendimento com profissionais de saúde. Outra opção é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite solicitar o bloqueio do acesso às plataformas de apostas autorizadas.
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