Saúde • 17:35h • 14 de setembro de 2026
Barra torta no supino pode revelar desequilíbrio escondido durante o treino
Assimetria de até 15% é comum, enquanto desequilíbrios maiores, dor recorrente e dificuldade para executar movimentos exigem atenção
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Perceber que um braço levanta mais peso, uma perna sustenta melhor o movimento ou a barra se inclina durante o supino é comum entre praticantes de musculação. Diferenças de força de até 10% a 15% entre os lados do corpo são consideradas naturais pela literatura de biomecânica e fisioterapia esportiva, mas desequilíbrios acima dessa faixa podem comprometer a execução dos exercícios e aumentar o risco de lesões.
A assimetria muscular pode ser resultado da lateralidade, que leva o sistema nervoso a recrutar com maior eficiência os músculos do lado dominante. Pessoas destras ou canhotas repetem milhares de movimentos ao longo da vida com o mesmo braço ou perna, favorecendo pequenas diferenças de força e volume.
Hábitos cotidianos também contribuem para esse processo, como carregar bolsas sempre no mesmo ombro, dormir frequentemente na mesma posição ou repetir determinados gestos no trabalho. O histórico esportivo exerce influência semelhante, especialmente em modalidades como tênis, futebol e lutas, nas quais os dois lados do corpo desempenham funções diferentes.
Exercícios com barra podem esconder a diferença
Segundo Lucas Florêncio, gerente técnico da Smart Fit, o uso exclusivo de exercícios bilaterais pode dificultar a identificação do desequilíbrio. “Na musculação, o uso exclusivo de exercícios bilaterais com barra pode mascarar o problema, porque o lado mais forte compensa o mais fraco sem que o praticante perceba”, explica.
Pequenas variações nas medidas corporais não representam necessariamente um risco. Diferenças de até 1 centímetro entre braços ou panturrilhas podem fazer parte da estrutura natural do organismo, que não apresenta simetria absoluta.
Alguns sinais, entretanto, merecem atenção: um membro executar dez repetições enquanto o outro falha na sexta ou na sétima, a barra inclinar de maneira visível durante o supino ou o agachamento, dor recorrente em apenas um ombro, joelho ou lado da lombar e diferença superior a 1,5 ou 2 centímetros entre as coxas.
Treino unilateral ajuda a reduzir o desequilíbrio
Exercícios unilaterais impedem que o lado dominante compense o mais fraco e podem contribuir para o equilíbrio muscular. Entre as opções estão agachamento búlgaro, afundo, step-up e cadeira extensora unilateral para as pernas; supino, desenvolvimento, remadas e puxadas com halteres para a parte superior; além de pranchas laterais para a região central do corpo.
O treino deve começar pelo lado mais fraco, que também define o número de repetições realizado pelo membro dominante. Se o braço esquerdo alcançar oito repetições, por exemplo, o direito deve encerrar a série no mesmo ponto, ainda que consiga continuar o exercício.
Fazer repetições adicionais com o lado mais forte, manter exercícios com barra mesmo diante de uma compensação visível e usar cargas acima da capacidade técnica podem ampliar a diferença. A orientação de um profissional de educação física ajuda a ajustar os movimentos, enquanto dores persistentes ou limitações funcionais devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
Os primeiros ganhos de força no lado mais fraco podem aparecer entre quatro e seis semanas após a adaptação do treino. Mudanças visíveis nas medidas corporais costumam exigir de oito a 12 semanas de exercícios consistentes e direcionados.
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