Responsabilidade Social • 13:28h • 12 de setembro de 2026
Bacia-esponja: estratégia busca segurar a água antes que chuvas intensas provoquem inundações nas cidades
Modelo propõe recuperar áreas naturais, ampliar superfícies permeáveis e criar estruturas capazes de armazenar e retardar a água ao longo de toda a bacia hidrográfica
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Tamer Comunicação | Foto: Divulgação
As inundações provocadas por chuvas extremas têm ampliado a discussão sobre uma estratégia que procura reter, infiltrar e desacelerar a água antes que grandes volumes cheguem às áreas urbanas. Conhecida como bacia-esponja, a abordagem considera todo o percurso da água, das nascentes à foz, e combina planejamento territorial, conservação ambiental e infraestrutura.
Diferentemente de ações concentradas somente nos pontos onde os alagamentos acontecem, o conceito parte do princípio de que intervenções realizadas nas partes mais altas de uma bacia hidrográfica influenciam a quantidade e a velocidade da água que alcança as regiões mais baixas.
“Restaurar áreas naturais, proteger nascentes, recuperar matas ciliares, ampliar áreas permeáveis e utilizar Soluções Baseadas na Natureza nas cidades fazem parte de uma estratégia inteligente de adaptação climática”, explica a paisagista urbana Cecília Herzog, integrante da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN).
Como uma bacia-esponja funciona
A estratégia amplia o conceito de cidade-esponja e integra áreas urbanas, rurais e de proteção ambiental. Entre as medidas estão recuperação de vegetação, proteção de nascentes e criação de espaços onde a chuva possa infiltrar no solo ou permanecer temporariamente armazenada.
Dentro das cidades, jardins de chuva e biovaletas podem ser implantados em calçadas, canteiros e praças para captar parte da água. Parques alagáveis e bacias naturais de retenção armazenam temporariamente volumes maiores durante tempestades, enquanto pavimentos permeáveis favorecem a infiltração no solo.

A renaturalização de rios e a implantação de parques lineares também integram o conjunto de Soluções Baseadas na Natureza, que podem atuar em conjunto com sistemas convencionais de drenagem e outras obras de engenharia.
Infraestrutura verde não significa apenas plantar árvores
Segundo Juliana Baladelli Ribeiro, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, essas intervenções exigem planejamento técnico e cálculos de engenharia.
“A infraestrutura verde, que também tem muita engenharia e tecnologia por trás, não é simplesmente plantar árvores de qualquer jeito”, afirma.
Além de contribuir para reduzir impactos das chuvas, essas estruturas podem aumentar as áreas verdes, amenizar temperaturas urbanas, melhorar a qualidade ambiental e favorecer a biodiversidade.
Cecília Herzog é uma das autoras de um guia técnico sobre bacias-esponja desenvolvido com os pesquisadores Osvaldo Moura Rezende e João Guimarães, que deve ser lançado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O material reunirá orientações para gestores públicos, técnicos e pesquisadores interessados na aplicação do modelo.
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