Mundo • 18:51h • 03 de janeiro de 2026
Ataque à Venezuela inaugura nova doutrina de força e desafia os pilares do jornalismo democrático
Editorial do The New York Times classifica ofensiva como imperialismo moderno; Federação Nacional dos Jornalistas cobra respeito à soberania e à legalidade internacional
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência Brasil e Fenaj | Foto: Reprodução
A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, anunciada pelo presidente Donald Trump, desencadeou uma reação firme do jornalismo nacional e internacional neste sábado, 3 de janeiro de 2026. Um editorial do The New York Times apontou ilegalidade, risco geopolítico e ausência de legitimidade internacional, enquanto a Fenaj se posicionou contra a agressão, denunciou guerra informacional e defendeu soluções exclusivamente diplomáticas.
Contexto e utilidade
O episódio recoloca no centro do debate o papel do jornalismo diante de ações militares unilaterais, a defesa da soberania nacional e os limites do poder executivo em democracias. Entender como a imprensa reage ajuda o leitor a diferenciar fatos, narrativas oficiais e análise crítica, especialmente em momentos de alta tensão internacional.
O que diz o New York Times
Em editorial publicado neste sábado, o The New York Times classificou a ação dos EUA como “ilegal” e a inseriu no conceito de imperialismo moderno, ao afirmar que a Venezuela teria sido o primeiro alvo de uma nova doutrina de segurança para a América Latina. O jornal rejeitou a justificativa apresentada pela Casa Branca, segundo a qual o ataque teria como objetivo combater o narcotráfico, observando que a Venezuela não é produtora relevante de fentanil nem das principais drogas citadas.
O texto também alertou para o risco de precedentes perigosos, ao sustentar que uma ação sem legitimidade internacional pode ser usada por outras potências para intervir em países vizinhos. O conselho editorial lembrou ainda que, sem autorização do Congresso, a operação viola a legislação dos próprios Estados Unidos, mesmo diante do argumento presidencial de que se trataria “apenas” da prisão de duas pessoas.
A crítica à lógica da intervenção
O jornal nova-iorquino destacou que promessas de “transição segura” e a admissão de exploração de recursos energéticos venezuelanos por petroleiras norte-americanas ampliam a gravidade do episódio. O editorial citou experiências recentes que resultaram em instabilidade prolongada, como Afeganistão, Líbia e Iraque, para reforçar que a derrubada forçada de regimes, ainda que impopulares, tende a agravar crises humanitárias e regionais.
Presidente dos EUA, Donald Trump, em discurso na tarde de sábado, transmissão oficial pela Casa Branca | Imagem: Print screen/White House/YouTube
Para o NYT, mesmo com a captura de Nicolás Maduro, as estruturas de poder que sustentavam o regime não desaparecem automaticamente, o que eleva o risco de caos interno, sofrimento da população e impactos duradouros para a região.
Fenaj: soberania, legalidade e jornalismo ético
No Brasil, a Fenaj divulgou nota oficial repudiando a agressão militar e a cumplicidade da mídia hegemônica na construção de narrativas que naturalizam sanções, bloqueios e intervenções. A federação reafirmou solidariedade ao povo venezuelano e aos jornalistas do país, defendeu o respeito absoluto à soberania nacional e à legalidade internacional, e convocou profissionais e organizações a denunciar a escalada militar e a guerra informacional.
A entidade também rejeitou tentativas de minimizar o sequestro do presidente venezuelano e de sua esposa, apontando acusações sem comprovação pública como instrumento para justificar ingerência externa e interesses geopolíticos alheios à vontade popular.

O papel do jornalismo em tempos de crise
As manifestações do The New York Times e da Fenaj convergem ao sublinhar a função do jornalismo como instância crítica, capaz de questionar versões oficiais, exigir provas, contextualizar interesses econômicos e geopolíticos, e proteger o direito da sociedade à informação qualificada. Em cenários de conflito, a responsabilidade editorial se amplia, evitar simplificações, distinguir opinião de fato e resistir à propaganda de guerra torna-se central.
Por que isso importa para o Brasil e a região
A América do Sul compartilha impactos diretos de qualquer escalada na Venezuela, seja por fluxos migratórios, instabilidade econômica ou tensões diplomáticas. Para o Brasil, com extensa fronteira e vínculos históricos, a defesa do multilateralismo, do direito internacional e da diplomacia não é abstrata, é uma questão de interesse nacional e regional.
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