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Cultura e Entretenimento • 20:12h • 30 de abril de 2026

Assistimos O Diabo Veste Prada 2 e o filme surpreende ao colocar o jornalismo no centro da história

Sequência chega 20 anos depois, resgata personagens icônicos e mergulha nos bastidores da informação, do engajamento e das decisões editoriais

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Âncora1

O Âncora1® foi à estreia de O Diabo Veste Prada 2 e revela o que muda 20 anos depois
O Âncora1® foi à estreia de O Diabo Veste Prada 2 e revela o que muda 20 anos depois

Vinte anos depois, O Diabo Veste Prada 2 chega aos cinemas nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, com algo que vai muito além da nostalgia. O que poderia ser apenas mais uma continuação apoiada no sucesso do passado entrega uma virada que chama atenção logo de cara: o jornalismo deixa de ser cenário e vira motor da história.

O Âncora1® acompanhou a estreia em Assis e encontrou um público que já entrou na sala entendendo que não era “só mais um filme de moda”. A movimentação começou antes mesmo da sessão, com ações promocionais, comentários na fila e aquele clima típico de quem sabe que está prestes a assistir algo grande. Em outras cidades, a experiência foi ainda mais imersiva, com campanhas criativas e itens temáticos que reforçam o peso cultural da franquia.

Quando o jornalismo entra em cena de verdade

Andrea Sachs não é mais a jovem que tentava sobreviver à Runway, agora ela carrega o peso de decisões editoriais, de audiência, de relevância. E isso muda completamente o tom do filme.

A história mergulha em algo que, para quem é da área, é impossível ignorar: a rotina do jornalista de verdade. A pressão por acertar, o medo de errar, a busca por uma pauta que ninguém tem, a ligação que precisa ser feita no momento certo, a fonte que não atende, a entrevista que pode mudar tudo, está tudo ali. O filme constrói esse ambiente sem precisar explicar demais, ele mostra, e quem já viveu, reconhece.

Há momentos em que se percebe claramente que algo grande está sendo construído, uma pauta, uma estratégia, uma virada. Mas o roteiro segura a informação. O espectador sabe que tem algo acontecendo, só não sabe o quê. E isso é proposital, é o mesmo mecanismo de tensão que existe dentro de uma redação quando uma história está prestes a estourar.

Essa escolha narrativa aproxima o público da experiência real do jornalismo. Não é sobre o resultado final, é sobre o processo também.

Moda continua, mas o foco mudou

A Runway segue sendo Runway. Estética impecável, figurinos fortes, presença marcante. Miranda Priestly continua dominando cada cena com a mesma autoridade de antes, e Meryl Streep sustenta isso com naturalidade impressionante.

Emily também retorna, trazendo aquele respiro ácido e direto que marcou o primeiro filme, mas agora inserida em um contexto diferente, mais conectado ao digital, à influência e ao comportamento contemporâneo.

Só que o eixo mudou. A moda não desaparece, mas divide espaço com algo mais urgente: o conflito entre conteúdo e engajamento, entre profundidade e velocidade, entre o que é relevante e o que performa e isso conversa diretamente com o momento atual.

Um filme que fala com quem produz conteúdo hoje

Existe uma camada no filme que vai além da história. Ele toca em uma ferida aberta do jornalismo atual. Redações menores, cursos desaparecendo, profissionais sobrecarregados, a necessidade constante de se reinventar para continuar existindo e, principalmente, na forma como o jornalismo ainda se sustenta pela insistência de quem acredita nele.

A inteligência artificial aparece como tema dentro da narrativa, especialmente no universo da moda. Existe uma discussão sobre tendências, automação e o papel da tecnologia na criação. Mas o filme deixa claro, mesmo que sem discursos longos, que existe algo que ainda não é replicável. O olhar, a sensibilidade, a leitura de contexto. E isso vale tanto para a moda quanto para o jornalismo.

Trilha sonora e identidade renovada

A trilha sonora funciona como uma ponte entre passado e presente. Elementos marcantes do primeiro filme reaparecem, mas com novas camadas, mais alinhadas ao ritmo atual. Não se trata de repetição, mas de adaptação, mantendo a identidade original enquanto atualiza a experiência para 2026.

Essa escolha reforça a proposta do filme como um todo, que respeita sua origem, mas constrói uma continuidade com identidade própria.

Uma experiência que segura até o final

Com cerca de duas horas, o filme mantém um ritmo que alterna leveza e tensão. O Diabo Veste Prada 2 não tenta repetir o primeiro, ele entende o tempo que passou e usa isso a favor da história. Talvez o ponto mais interessante seja justamente esse: o espectador sai da sala com a sensação de que viu mais do que uma continuação, viu uma atualização de mundo.

E, para quem vive ou acompanha o jornalismo de perto, a experiência vai além do entretenimento, vira identificação.



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