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Saúde • 12:39h • 09 de maio de 2026

Anvisa aprova nova dose do Wegovy e medicamento passa a alcançar perdas acima de 20% do peso

Liberação da dose de 7,2 mg da semaglutida amplia possibilidades no tratamento da obesidade e reforça foco na composição corporal, não apenas na balança

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Digital Trix | Foto: Arquivo/Âncora1

Nova dose do Wegovy é aprovada no Brasil e amplia perda de peso em tratamento contra obesidade
Nova dose do Wegovy é aprovada no Brasil e amplia perda de peso em tratamento contra obesidade

A aprovação da dose de 7,2 mg da semaglutida, princípio ativo do Wegovy, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), abre uma nova etapa no tratamento da obesidade no Brasil. A autorização permite o uso de uma dosagem mais alta do medicamento em pacientes adultos com obesidade que não alcançaram resposta adequada com a versão tradicional de 2,4 mg semanais.

A decisão da agência brasileira acompanha uma movimentação já realizada pelo FDA, órgão regulador dos Estados Unidos, e foi baseada principalmente nos resultados do estudo clínico STEP UP, que avaliou eficácia, segurança e impacto metabólico da nova estratégia terapêutica.

Os dados chamaram atenção da comunidade médica pelos índices de perda de peso registrados. Segundo os resultados apresentados à Anvisa, parte dos pacientes tratados com a dose ampliada ultrapassou redução de 20% do peso corporal, mantendo os benefícios ao longo do acompanhamento clínico.

Para a endocrinologista Alessandra Rascovski, diretora médica da Atma Soma, os números representam um avanço importante principalmente pela manutenção dos resultados ao longo do tempo. “A aprovação da semaglutida em dose mais alta mostra resultados bastante expressivos. Cerca de um terço dos pacientes alcançou perda igual ou superior a 25% do peso, com manutenção desses benefícios de forma sustentada”, afirma.

Estudo aponta perda maior de gordura do que de massa muscular

Além da quantidade de peso eliminada, outro fator passou a ganhar destaque nas discussões médicas sobre tratamentos contra obesidade: a qualidade dessa perda corporal.

Dados apresentados em congressos internacionais indicam que aproximadamente 84,4% do peso perdido correspondeu à redução de gordura corporal, enquanto cerca de 15,6% esteve relacionado à perda de massa magra.

Na prática, isso significa uma preservação muscular acima do que normalmente se observa em processos tradicionais de emagrecimento. “Quando um paciente perde peso, normalmente esperamos algo próximo de 75% de gordura e 25% de massa muscular. Nesse caso, os resultados mostraram uma proporção mais favorável, com preservação importante da massa muscular e melhora da composição corporal”, explica Alessandra.

Segundo a especialista, os estudos também apontaram melhora em fatores ligados à mobilidade, força muscular e risco cardiovascular, aspectos que passaram a ter peso crescente no tratamento moderno da obesidade.

Dose maior exige acompanhamento médico rigoroso

Uma das principais preocupações em torno do aumento da dosagem estava relacionada aos possíveis efeitos colaterais. Segundo os dados analisados pela Anvisa, o perfil de segurança permaneceu semelhante ao já observado nas doses anteriores, principalmente entre pacientes que apresentavam boa tolerância ao tratamento padrão.

“O estudo mostrou que o aumento da dose não elevou de forma significativa os efeitos adversos em pacientes que já toleravam bem a semaglutida na dose de 2,4 mg”, destaca a endocrinologista. Ainda assim, a Anvisa definiu critérios rigorosos para utilização da nova posologia. A dose de 7,2 mg será indicada apenas para adultos com índice de massa corporal igual ou superior a 30 kg/m2, dentro de acompanhamento médico contínuo.

A administração também seguirá um protocolo específico. O paciente deverá utilizar três aplicações consecutivas de 2,4 mg para atingir a dose total semanal de 7,2 mg, sempre por via subcutânea e somente após adaptação prévia ao tratamento convencional.

A agência reguladora brasileira também reforçou a necessidade de monitoramento médico permanente, principalmente diante de efeitos gastrointestinais e do aumento de relatos de disestesia, alteração de sensibilidade na pele observada em parte dos pacientes que utilizaram doses mais altas.

Tratamento da obesidade muda foco além da balança

A aprovação ocorre em um momento de forte expansão global do mercado de medicamentos voltados ao tratamento da obesidade, impulsionado pelo avanço dos agonistas de GLP-1 e pela busca crescente por terapias mais eficazes. Especialistas avaliam, porém, que o principal impacto da nova geração de medicamentos vai além da simples redução do peso corporal.

O foco atual da endocrinologia passa a considerar indicadores mais amplos, como composição corporal, preservação muscular, mobilidade, controle metabólico e redução de risco cardiovascular, fatores diretamente ligados à qualidade de vida e à expectativa de vida dos pacientes.

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