Saúde • 13:42h • 07 de fevereiro de 2026
Ansiedade e esgotamento impulsionam busca por autoterapia no início de 2026
Alta nos índices de ansiedade e burnout no Brasil amplia interesse por métodos de autorregulação emocional e reprogramação mental voltados a trabalho, dinheiro e relacionamentos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Ansiedade, esgotamento e sensação de estagnação pessoal têm marcado o início de 2026 para muitos brasileiros e ajudam a explicar o crescimento do interesse por práticas de autoterapia e autorregulação emocional. Levantamentos recentes apontam que cerca de 9,3% da população do país convive com algum transtorno de ansiedade, segundo a Organização Mundial da Saúde, enquanto estudos do Instituto Cactus e do Datafolha indicam que mais de 70% dos brasileiros relatam sobrecarga emocional relacionada ao trabalho, à vida financeira e aos relacionamentos.
O cenário se agrava com dados do Ministério da Saúde, que mostram aumento contínuo nos afastamentos do trabalho por causas associadas à saúde mental. A própria Organização Mundial da Saúde classifica o Brasil entre os países com maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo, o que tem ampliado o debate sobre estratégias de cuidado além do tratamento clínico tradicional.
Para a psicanalista e pesquisadora Elainne Ourives, doutora em psicanálise e especialista em reprogramação mental, o estresse crônico compromete funções centrais do cotidiano. Ela afirma que altos níveis de estresse reduzem a capacidade de tomada de decisão, foco e criatividade, afetando não apenas a produtividade, mas a qualidade de vida como um todo. Segundo a especialista, o interesse por métodos de autoterapia e autorregulação emocional tem crescido justamente por oferecer ferramentas práticas para lidar com padrões mentais repetitivos.
A base dessas abordagens dialoga com achados da neurociência cognitiva, que indicam que a maior parte das decisões humanas ocorre de forma automática. Estudos apontam que entre 90% e 95% das respostas comportamentais são influenciadas por processos inconscientes, moldados ao longo da vida por experiências emocionais, ambiente familiar e estímulos sociais. Elainne observa que muitas pessoas se culpam por não conseguir mudar, quando, na prática, estão repetindo padrões emocionais que nunca foram revisados.
Esses padrões, segundo a pesquisadora, costumam se manifestar em áreas centrais da vida adulta, como dinheiro, carreira e vínculos afetivos. Ela descreve situações recorrentes em que a pessoa trabalha intensamente, mas não prospera, repete modelos de relacionamento ou inicia projetos sem conseguir concluí-los, associando esses comportamentos à repetição inconsciente e não à falta de capacidade.
Dentro desse contexto, protocolos de autorregulação buscam identificar bloqueios emocionais recorrentes, como escassez, culpa, rejeição ou desvalorização, e aplicar técnicas de autoaplicação para ressignificá-los. A especialista destaca que práticas regulares podem favorecer a neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de reorganizar conexões neurais, e contribuir para a redução de sintomas de ansiedade e fadiga mental.
Um levantamento do Instituto Ipsos citado pela pesquisadora mostra que 62% dos brasileiros afirmam ter dificuldade para desligar a mente fora do horário de trabalho, fator diretamente associado à exaustão emocional. Esse dado reforça a percepção de que a sobrecarga mental ultrapassa o ambiente profissional e afeta o cotidiano como um todo.
Com mais de 300 mil alunos em cerca de 40 países, Elainne avalia que o cuidado com a saúde emocional deixou de ser um tema restrito ao consultório. Para ela, o equilíbrio emocional passou a integrar a rotina de adultos que lidam com múltiplas pressões e cobranças constantes, sendo compreendido como estratégia básica de saúde.
A especialista aponta que pequenas práticas regulares podem contribuir para a redução da ansiedade, melhoria do foco e fortalecimento da autorregulação emocional. Entre as orientações, estão a identificação honesta de padrões emocionais repetitivos, a adoção de micropráticas diárias, a integração entre corpo e mente por meio de exercícios de relaxamento, o uso de âncoras mentais para reforçar objetivos e o planejamento de metas realistas, revisadas com frequência.
O avanço do interesse por práticas de autoterapia reflete uma mudança na forma como adultos têm lidado com instabilidade financeira, pressão por desempenho e sobrecarga emocional. Para especialistas, esse movimento indica que a saúde mental começa a ser tratada como parte estruturante da vida adulta, ao lado do trabalho, das finanças e dos relacionamentos, deixando de ser vista como exceção e passando a integrar estratégias contínuas de cuidado e bem-estar.
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