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Saúde • 15:55h • 19 de fevereiro de 2026

ANS abre consulta pública sobre novo tratamento para câncer de próstata avançado

Sociedade pode contribuir até 1º de março sobre proposta que analisa ampliação de acesso ao talazoparibe na rede privada

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Weber | Foto: Arquivo/Âncora1

Consulta pública avalia inclusão de tratamento para câncer de próstata avançado na cobertura dos planos de saúde
Consulta pública avalia inclusão de tratamento para câncer de próstata avançado na cobertura dos planos de saúde

Está aberta até 1º de março a consulta pública que avalia a inclusão do medicamento Talzenna® (talazoparibe), da Pfizer, no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar, ANS. A proposta trata da incorporação da terapia combinada de talazoparibe com enzalutamida como opção de primeira linha para pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração, com mutações nos genes de reparo por recombinação homóloga, HRR.

A análise é conduzida no âmbito da ANS, vinculada ao Ministério da Saúde, e pode ampliar o acesso ao tratamento por meio dos planos de saúde. A terapia é indicada para homens adultos em estágio metastático da doença, quando o tumor continua a progredir mesmo após o bloqueio hormonal.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer, INCA, para 2026, o câncer de próstata é o tipo mais incidente entre os homens no Brasil, representando 30,5% dos casos. A doença também é a segunda principal causa de morte por câncer na população masculina.

Tratamento direcionado e evidências clínicas

Talzenna® é um inibidor de enzimas PARP, utilizado em associação à enzalutamida no tratamento do câncer de próstata metastático resistente à castração, mCRPC, com ou sem mutações nos genes HRR. Essas alterações genéticas comprometem a capacidade de reparo das células, favorecendo o acúmulo de danos e a progressão tumoral.

No estudo clínico de fase 3 TALAPRO-2, a combinação de talazoparibe com enzalutamida reduziu em 53% o risco de progressão da doença e quase 40% a probabilidade de morte em homens com mCRPC e mutação em HRR, em comparação ao uso de enzalutamida com placebo.

A eventual incorporação ao Rol da ANS não significa adoção automática, mas representa etapa regulatória para avaliar eficácia, segurança, impacto orçamentário e relevância clínica da tecnologia no sistema suplementar.

Participação social

A consulta pública é instrumento de participação social que permite que cidadãos, profissionais de saúde e instituições apresentem contribuições sobre decisões regulatórias. No caso do talazoparibe com enzalutamida, a consulta está identificada como nº 167/2026.

Para participar, é necessário acessar a página de consultas públicas da ANS no portal oficial do Ministério da Saúde, localizar a consulta pública nº 167/2026 e preencher o formulário eletrônico disponível na plataforma. Acesse [aqui]

A decisão final sobre a incorporação considerará as contribuições recebidas, além das análises técnicas realizadas pelos órgãos reguladores.

Contexto nacional

O debate ocorre em um cenário de alta incidência da doença no país. Além de fatores genéticos, obesidade, inflamações prostáticas e infecções sexualmente transmissíveis estão entre os fatores associados ao aumento do risco.

A discussão sobre ampliação de cobertura no sistema suplementar integra agenda mais ampla de incorporação de terapias-alvo e medicina personalizada, tema que vem ganhando espaço nas políticas de saúde.

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