Política • 11:29h • 07 de outubro de 2026
Anúncios eleitorais continuaram circulando no dia da votação, aponta estudo da UFRJ
Monitoramento identificou 568 anúncios nas plataformas da Meta e recomendações de conteúdos de candidatos no TikTok e YouTube durante período de restrição eleitoral
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Arquivo/Âncora1
Anúncios político-eleitorais continuaram circulando em plataformas digitais durante o período em que o impulsionamento estava proibido nas eleições de 2026, segundo levantamento do Observatório das Big Techs, do NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O estudo identificou ocorrências na Meta, Kwai e Google, além de recomendações de vídeos de candidatos pelo TikTok e YouTube.
As regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbem a circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral na internet desde 48 horas antes até 24 horas depois da eleição. Plataformas com sistemas de recomendação também devem retirar desses mecanismos canais e perfis de candidatos informados à Justiça Eleitoral, observadas as exceções previstas na legislação.
O maior volume apontado pelo levantamento apareceu nas plataformas da Meta, com 568 anúncios considerados irregulares durante o período analisado. O NetLab também encontrou seis anúncios que simulavam comunicações do TSE e divulgavam uma falsa possibilidade de votar remotamente pelo celular ou de casa. Algumas peças direcionavam usuários a páginas que solicitavam o CPF para iniciar a suposta votação.
TikTok e YouTube recomendaram vídeos de candidatos
No TikTok, o monitoramento encontrou 18 vídeos de sete candidatos recomendados entre os dias 3 e 4 de outubro. No YouTube, foram 17 vídeos de seis candidatos. Segundo o estudo, não foram identificadas recomendações de vídeos publicados por candidatos no Instagram.
No Kwai, foram localizados 18 anúncios eleitorais ativos no dia da votação e outros quatro classificados como pausados. O laboratório também encontrou 45 anúncios associados a dez páginas de candidaturas cuja data final aparecia estendida até o dia 4. O próprio NetLab ressalvou, porém, que divergências entre os dados exportados e aqueles apresentados pela plataforma impediram a confirmação integral desse último caso.
No Google, foi localizado um anúncio que já havia sido identificado em 3 de outubro e permanecia ativo durante o período de restrição.
Estudo aponta dificuldade para fiscalizar plataformas
O NetLab também chamou atenção para diferenças entre informações apresentadas pelas próprias plataformas. Na Meta, anúncios classificados como inativos na Biblioteca de Anúncios apareciam simultaneamente em listagens de publicidade ativa. Divergências semelhantes foram observadas no Kwai, enquanto Google, LinkedIn e TikTok foram apontados pelo laboratório como plataformas com informações limitadas para o acompanhamento sistemático.
Em resposta à Agência Brasil, a Meta afirmou atuar de acordo com a legislação eleitoral e disse que a amostragem do estudo não representa a dimensão de seu trabalho de integridade. O Kwai informou manter operação especial durante o período eleitoral e disse aguardar acesso aos conteúdos apontados para avaliá-los.
O TikTok afirmou que trabalha em parceria com o TSE e informou ter removido 348.963 vídeos no Brasil entre junho e setembro por violações relacionadas, entre outros motivos, à integridade eleitoral, desinformação e conteúdos enganosos produzidos por inteligência artificial. Já o Google destacou que anúncios políticos são proibidos em sua plataforma no Brasil desde 2024 e afirmou ter agido para prevenir abusos.
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