Saúde • 11:22h • 30 de maio de 2026
Anabolizantes podem levar à hipertofria cardíaca; saiba como prevenir
Morte de Gabriel Ganley chama atenção para uso de substâncias
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: ganleygabrie/ Instagram
A morte do influenciador e fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos, reacendeu o debate sobre os riscos do uso de anabolizantes para a saúde cardiovascular. O atestado de óbito apontou cardiomiopatia hipertrófica, condição caracterizada pelo espessamento do músculo cardíaco e considerada uma das principais causas de morte súbita entre jovens e atletas.
Com cerca de 1,7 milhão de seguidores nas redes sociais, Gabriel compartilhava a rotina de treinos e já havia falado publicamente sobre o uso de hormônios anabolizantes durante sua preparação física. Ele foi encontrado morto no apartamento onde morava, no bairro da Mooca, em São Paulo, no sábado (23).
Segundo o cardiologista Herbert Lima Mendes, professor do Instituto de Educação Médica, o uso excessivo de anabolizantes pode provocar aumento anormal do coração.
“O coração também é um músculo. Assim como há crescimento dos músculos dos braços e pernas, o uso dessas substâncias pode levar à hipertrofia cardíaca”, explicou.
Os esteroides anabolizantes são substâncias sintéticas derivadas da testosterona, utilizadas em tratamentos médicos específicos para reposição hormonal. No entanto, o uso sem acompanhamento médico, voltado para fins estéticos ou de melhora de desempenho físico, é considerado perigoso e pode provocar sérios danos à saúde.
Crescimento do coração pode levar à insuficiência cardíaca
A cardiomiopatia hipertrófica dificulta o bombeamento do sangue e o relaxamento do coração. Em casos mais graves, pode evoluir para insuficiência cardíaca e aumentar o risco de arritmias fatais.
De acordo com Herbert Lima Mendes, muitos usuários acreditam que os problemas não irão acontecer com eles, o que favorece o aumento das doses e a combinação de diferentes substâncias.
“Existe entre alguns atletas a chamada ‘síndrome do super-homem’, quando a pessoa acredita que os riscos atingem os outros, mas nunca ela própria”, afirmou.
O médico alerta ainda que muitos praticantes de musculação utilizam anabolizantes sem realizar avaliações cardiológicas periódicas. Em alguns casos, doenças cardíacas só são descobertas em estágio avançado.
A diretora da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcely Bonatto, explica que a cardiomiopatia hipertrófica também pode ter origem genética e atingir pessoas assintomáticas.
Segundo ela, a condição afeta aproximadamente uma em cada 500 pessoas e pode se manifestar principalmente entre a adolescência e o início da vida adulta.
A especialista destaca que ainda não é possível afirmar que o uso de anabolizantes tenha sido a causa exclusiva da morte do influenciador. Para isso, seria necessário avaliar exames anteriores e verificar se já existia alguma alteração cardíaca prévia.
“É possível que houvesse uma predisposição genética e que os anabolizantes tenham funcionado como fator agravante”, explicou.
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