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Saúde • 11:18h • 04 de janeiro de 2026

Alerta à População: Natural nem sempre é seguro

O risco invisível dos suplementos e fitoterápicos vendidos sem controle e de procedência duvidosa

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1

Os fitoterápicos são medicamentos e os suplementos alimentares são alimentos para indivíduos saudáveis e precisam estar regularizados aos órgãos sanitários.
Os fitoterápicos são medicamentos e os suplementos alimentares são alimentos para indivíduos saudáveis e precisam estar regularizados aos órgãos sanitários.

O aumento do consumo de produtos considerados naturais e suplementos no Brasil e no mundo tem preocupado especialistas em saúde pública, farmacêuticos e toxicologistas. Apesar de serem vendidos como opções inofensivas e livres de prescrição, análises laboratoriais recentes mostram que muitos desses produtos contêm substâncias sintéticas ativas e potencialmente perigosas, algumas até de uso controlado pela Anvisa.

Pesquisas de universidades e centros de toxicologia identificam fármacos como fluoxetina, sibutramina e benzodiazepínicos misturados a cápsulas comercializadas como fitoterápicos ou suplementos alimentares. É importante lembrar que fitoterápicos são medicamentos, enquanto suplementos são alimentos destinados a pessoas saudáveis, e ambos precisam estar regularizados nos órgãos sanitários.

Especialistas alertam que muitos consumidores acreditam estar usando algo natural e seguro, mas na prática estão expostos a substâncias que exigem prescrição, acompanhamento profissional e controle rigoroso, representando risco significativo à saúde.

Além disso, produtos vendidos como naturais para tratar dores crônicas também têm sido alvo de preocupação. Exames mostram que alguns deles contêm anti-inflamatórios não esteroidais, como diclofenaco, naproxeno e paracetamol, que, quando usados sem orientação, podem causar danos ao fígado, rins e estômago.

Um dos problemas mais graves é que muitos desses itens são vendidos sem seguir a legislação, circulando livremente em sites, redes sociais, feiras e locais sem autorização sanitária ou presença de profissionais habilitados. Paralelamente, fabricantes utilizam alegações enganosas para promover produtos como emagrecedores, calmantes ou anti-inflamatórios “naturais”, mas incluem neles ativos sintéticos não autorizados para garantir resultados rápidos e atrair consumidores.

Outro desafio é que a maioria das pessoas não associa reações adversas ao uso desses produtos, o que dificulta a notificação e o rastreamento de casos de toxicidade.

Como o consumidor pode se proteger

Ao comprar qualquer produto com promessa terapêutica — mesmo que “natural” — é importante redobrar a atenção. Algumas orientações incluem:

  • Desconfiar de promessas milagrosas e efeitos rápidos.
  • Evitar compras em sites ou redes sociais sem respaldo técnico ou sem registro da Anvisa.
  • Consultar um farmacêutico antes de iniciar qualquer tratamento, inclusive à base de plantas ou suplementos.
  • Verificar se o rótulo apresenta número de registro ou notificação na Anvisa.
  • Em caso de reações adversas, suspender o uso, procurar atendimento médico e notificar a ocorrência ao sistema VIGIMED.
  • Conferir se o produto tem registro sanitário e origem confiável.

Medicamentos sintéticos ou fitoterápicos devem:

  • Ser registrados ou notificados pela Anvisa;
  • Ser fabricados por empresas licenciadas;
  • Ser vendidos em farmácias ou drogarias com farmacêutico;
  • Ser prescritos por profissionais habilitados, quando necessário;
  • Vir acompanhados de bula clara e completa.

Produtos sem registro e comercializados como “naturais” fora de canais regulares não oferecem garantia de segurança, eficácia ou qualidade.

A crença de que tudo que é natural é sempre seguro não se sustenta. A adição proposital de substâncias controladas sem o conhecimento do consumidor é uma prática criminosa que coloca vidas em risco. Por isso, é essencial que autoridades reforcem a fiscalização e que profissionais e consumidores estejam atentos para prevenir danos à saúde.

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