Mundo • 09:41h • 03 de outubro de 2026
AGU pede ao STF que derrube leis que permitiram e regulamentaram as bets no Brasil
Manifestação aponta falhas na proteção dos apostadores e cita endividamento, impactos econômicos e aumento de 140% nos atendimentos do SUS relacionados ao vício em jogos
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Arquivo/Âncora1
A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu na sexta-feira, 2 de outubro, ao Supremo Tribunal Federal (STF) que declare inconstitucionais dispositivos das duas leis que permitiram e posteriormente regulamentaram as apostas de quota fixa no Brasil, conhecidas como bets. A manifestação foi apresentada em processo relatado pelo ministro Luiz Fux e questiona pontos das leis 13.756, de 2018, e 14.790, de 2023.
A discussão ocorre poucos dias depois da publicação da medida provisória que proibiu a exploração e a publicidade das apostas esportivas online. Pelo cronograma estabelecido na norma, as plataformas têm até 5 de outubro para pagar os saldos remanescentes aos apostadores. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de bets deverão ser bloqueados.
A manifestação da AGU foi apresentada em uma ação na qual a Procuradoria-Geral da República (PGR) questionou, em 2024, a proteção oferecida aos apostadores pela legislação. A lei de 2018 instituiu a modalidade de apostas de quota fixa, enquanto a legislação de 2023 estabeleceu a regulamentação das apostas virtuais.
AGU cita endividamento e impacto na saúde pública
Entre os argumentos apresentados ao Supremo, a AGU relaciona a expansão das bets a problemas como endividamento das famílias, exposição de crianças e adolescentes, efeitos sobre a economia formal e crescimento da procura pelo Sistema Único de Saúde relacionada aos transtornos provocados pelo vício em jogos.
Segundo os dados citados pelo órgão, houve aumento de 140% nos atendimentos do SUS relacionados a esses transtornos.
Na manifestação, a AGU sustenta que o regime criado pelas duas leis apresentou falhas e não ofereceu proteção adequada a direitos fundamentais. O órgão menciona especificamente dignidade humana, saúde pública e garantia do mínimo existencial.
Disputa sobre futuro das bets também está no Supremo
Enquanto uma ação questiona a constitucionalidade das leis que estruturaram o mercado, outro processo levado ao STF busca permitir a retomada das apostas.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) pediram a derrubada da medida provisória que proibiu a exploração e a publicidade dos jogos online.
A decisão sobre a constitucionalidade das leis caberá ao STF. O pedido apresentado pela AGU representa a posição jurídica do órgão no processo e, por si só, não equivale a uma decisão da Corte.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Assis tem 116 vagas em cursos gratuitos de logística, empilhadeira e informática; inscrições até domingo
Oportunidades fazem parte do Qualifica SP, que reúne 286 vagas presenciais na região; candidatos têm até 4 de outubro para se inscrever