Variedades • 20:37h • 14 de setembro de 2026
Adultos que cuidam dos filhos e dos pais perdem até 2,4 horas de lazer por dia
Estudo com pessoas de 35 a 50 anos encontrou dificuldades para administrar o tempo, exaustão física, estresse e sinais de esgotamento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência FR | Foto: Arquivo/Âncora1
Adultos que cuidam simultaneamente dos filhos e de familiares mais velhos enfrentam dificuldades para administrar o tempo, cansaço físico, estresse e esgotamento, segundo um estudo publicado em janeiro de 2026 na revista Frontiers in Public Health. A pesquisa entrevistou dez pessoas de 35 a 50 anos em Hong Kong e analisou como as relações familiares, comunitárias e institucionais ajudam a enfrentar a sobrecarga.
Conhecido como geração sanduíche, esse grupo precisa conciliar diferentes responsabilidades familiares e, em muitos casos, o trabalho. Dados de pesquisas anteriores citados pelos autores indicam que cuidadores nessa situação em Hong Kong possuem, em média, 1,7 hora a menos de sono e 2,4 horas a menos de lazer por dia em comparação com a população local.
A redução contínua do descanso pode comprometer a concentração, o humor e a disposição para atividades físicas. Também pode favorecer hábitos associados ao ganho de peso e ao desenvolvimento de hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares, especialmente quando a rotina sobrecarregada se prolonga.
Autocuidado costuma ficar em segundo plano
Segundo Paula Fabrega, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, cuidar da própria saúde envolve mais do que manter consultas e exames em dia. Alimentação adequada, atividade física, sono, lazer e convivência social também fazem parte desse cuidado, mas frequentemente perdem espaço diante das demandas familiares.
“O sono participa da regulação do metabolismo, do apetite, do sistema cardiovascular e do imunológico. Já o lazer funciona como um amortecedor do estresse”, explica a endocrinologista. A privação prolongada desses períodos de recuperação pode contribuir para um ciclo de exaustão física e emocional.
Entre as mulheres, a sobrecarga ainda pode coincidir com a transição para a menopausa. Não há evidências suficientes para afirmar que cuidar de filhos e pais idosos provoque ou agrave diretamente os sintomas, mas estresse, sono inadequado e redução da atividade física podem tornar esse período mais difícil.
Dores musculares, palpitações e desconfortos abdominais também podem aparecer em rotinas exaustivas. A orientação médica é não atribuir esses sinais automaticamente ao estresse, causas orgânicas devem ser investigadas, enquanto a divisão das responsabilidades familiares pode ajudar a reduzir a sobrecarga.
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