Responsabilidade Social • 13:51h • 07 de setembro de 2026
Abuso sexual online atinge milhões de crianças e 40% dos casos permanecem em silêncio
Relatório do Unicef aponta 15 milhões de vítimas expostas a conteúdo sexual indesejado e revela que mais da metade dos abusos relatados envolve pessoas conhecidas
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
Cerca de 20 milhões de crianças e adolescentes de 21 países sofreram, no período de um ano, alguma forma de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia, segundo relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Desse total estimado, 15 milhões foram expostos a conteúdo sexual indesejado, 9 milhões teriam sido induzidos a conversas de teor sexual ou ao compartilhamento de imagens contra a própria vontade e 4 milhões tiveram imagens vazadas.
Os dados integram o relatório Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil, produzido a partir das percepções de 21 mil participantes de 12 a 17 anos, em 21 países, entre 2020 e 2025. O Unicef considera que a dimensão do problema pode ser ainda maior porque parte das vítimas não relata o que sofreu.
Mais de 40% das ocorrências identificadas durante a coleta de informações não haviam sido reveladas pelas vítimas. Entre os principais obstáculos está justamente não saber onde procurar ajuda ou a quem recorrer.
Redes sociais concentram a maior parcela das ocorrências
Em média, cerca de 60% das violações aconteceram em redes e plataformas como Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e WhatsApp. Outros 14% dos casos ocorreram enquanto crianças e adolescentes utilizavam jogos online, ambiente no qual, segundo o relatório, agressores podem explorar relações de confiança construídas entre jogadores.
Outro dado muda a percepção de que esse tipo de violência parte principalmente de desconhecidos. Em 57% dos casos relatados aos pesquisadores, o agressor era alguém do convívio da vítima, incluindo familiares, conhecidos, amigos, namorados e namoradas. Ao mesmo tempo, 38% conheceram seus agressores pela primeira vez na internet, contexto em que contas falsas e mensagens privadas podem facilitar as abordagens.
“Essas experiências causam profundo desgaste emocional e mental. Muitas crianças sofrem em silêncio, sem saber ao certo onde procurar ajuda. Nós não podemos ignorar isso”, afirmou a diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell.
Brasil teve quase 3 milhões de vítimas
Os relatos reunidos pelo estudo também mostram estratégias de coerção usadas pelos agressores, que podem envolver presentes, dinheiro e atenção, além de chantagens e ameaças para obter novas imagens ou comportamentos das vítimas.
No Brasil, 19% dos entrevistados foram identificados como vítimas desse tipo de violência, proporção equivalente a quase 3 milhões de crianças e adolescentes. Menos de 1% das ocorrências foram denunciadas, segundo os dados apresentados no relatório.
Entre os casos brasileiros, 55,5% ocorreram pela internet e 24,5% na escola. Aplicativos de mensagens e redes sociais apareceram em 66,5% das ocorrências, com destaque para Instagram, citado em 57,2%, e WhatsApp, em 52,1%. Os jogos online responderam por 12,3%.
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