Mundo • 18:33h • 05 de novembro de 2026
Abrir empresa nos Estados Unidos em 2027 vale a pena? Veja os custos, vistos e riscos para brasileiros
Empreender no mercado americano exige planejamento tributário, capital para manter a operação e atenção às regras de imigração; abrir um negócio não garante Green Card
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Abrir uma empresa nos Estados Unidos a partir de 2027 pode representar uma oportunidade de expansão para empresários brasileiros, mas a decisão envolve custos operacionais, obrigações tributárias e exigências migratórias que precisam ser avaliadas antes do investimento. Com diferenças entre os sistemas econômicos dos dois países e mudanças previstas na tributação brasileira até 2033, especialistas recomendam analisar a viabilidade financeira do negócio e as condições legais para atuar no mercado americano.
Segundo Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional e fundador da Toledo e Advogados Associados, a internacionalização deve ser tratada como um projeto empresarial estruturado, independentemente do cenário político brasileiro. A possibilidade de faturar em dólar, embora atraente, não significa necessariamente maior rentabilidade.
No Brasil, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central em 26 de outubro projetava a taxa Selic em 11,75% ao fim de 2027. Nos Estados Unidos, além das condições de financiamento, os empresários precisam considerar despesas com funcionários, seguros, aluguel comercial, contabilidade e impostos, que variam conforme o estado e o setor de atuação.
Quais vistos permitem empreender nos Estados Unidos?
Entre as alternativas para empresários que pretendem atuar diretamente no país estão os vistos E-2 e L-1, destinados a situações diferentes.
O E-2 é voltado a investidores que possuem nacionalidade de países com tratados específicos com os Estados Unidos. O Brasil não integra essa lista, mas brasileiros com dupla cidadania de países elegíveis, como Portugal ou Itália, podem avaliar essa modalidade.
Para solicitar o E-2, é necessário realizar um investimento substancial em uma empresa americana real e operacional. Não existe um valor mínimo único para todos os empreendimentos, pois a análise considera o porte, o custo e a viabilidade do negócio.
Já o L-1 permite a transferência de executivos, gerentes e profissionais com conhecimentos especializados entre empresas que mantêm uma relação societária qualificada. A modalidade pode atender empresários que já possuem operações no Brasil e pretendem estabelecer uma unidade nos Estados Unidos.
Em regra, o candidato precisa comprovar pelo menos um ano de trabalho contínuo na empresa estrangeira durante o período exigido pela legislação. Para novas unidades americanas, a autorização inicial costuma ter duração de um ano, com possibilidade de renovação conforme o cumprimento dos requisitos.
Quanto custa abrir e manter uma empresa americana?
O valor necessário depende da localização, da atividade e da estrutura escolhida. Estados como Flórida e Texas possuem regras próprias de registro, tributação e funcionamento, o que torna inadequada uma estimativa única para todos os negócios.
Nos Estados Unidos, empresas tributadas como C corporations estão sujeitas à alíquota federal de 21% sobre o lucro, além de eventuais impostos estaduais. No Brasil, empresas no regime de lucro real podem enfrentar uma tributação nominal combinada de 34% de IRPJ e CSLL, sem considerar outros tributos.
Esses percentuais, entretanto, não permitem concluir isoladamente que um país oferece menor carga tributária. A comparação depende do enquadramento societário, da atividade econômica e das obrigações aplicáveis em cada localidade.
Também devem entrar no orçamento as despesas com contratação de funcionários, seguros, licenças, aluguel e capital de giro necessário para sustentar a operação até que ela alcance estabilidade financeira.
Empresário pode ter que pagar impostos nos dois países?
A abertura de uma empresa americana não encerra automaticamente as obrigações fiscais do proprietário no Brasil. Dependendo da residência fiscal, da participação societária e da origem dos rendimentos, podem existir exigências de declaração e tributação nos dois países.
A Lei nº 14.754, de 2023, estabeleceu regras para a tributação de determinadas aplicações financeiras e entidades controladas no exterior por pessoas físicas residentes no Brasil, incluindo incidência de 15% nas situações previstas pela legislação.
Outro ponto importante é a escolha da estrutura empresarial. Uma Limited Liability Company (LLC), por exemplo, pode receber tratamento tributário diferente de uma corporation, conforme sua classificação fiscal.
A mudança de residência também exige cuidado. Morar nos Estados Unidos não significa, necessariamente, deixar de ser residente fiscal brasileiro de forma imediata. Por isso, a saída fiscal, a transferência de recursos e a manutenção de negócios nos dois países devem ser analisadas conjuntamente.
Abrir uma empresa dá direito ao Green Card?
Não. Constituir ou adquirir uma empresa nos Estados Unidos não garante residência permanente nem autorização automática para trabalhar no país.
Os vistos E-2 e L-1 possuem regras próprias e não concedem diretamente o Green Card. Em determinadas circunstâncias, executivos e gerentes de empresas multinacionais podem avaliar uma futura solicitação de residência permanente pela categoria EB-1C, desde que cumpram os requisitos legais.
O advogado Daniel Toledo destaca a importância da orientação especializada para evitar problemas durante a internacionalização. “É essencial entender as exigências específicas de cada categoria de visto e contar com orientação especializada. Isso evita frustrações e erros que podem comprometer todo o processo”, afirmou em orientação anterior sobre processos migratórios.
Vale a pena investir nos Estados Unidos até 2030?
A resposta depende da capacidade financeira do empresário, do mercado que pretende atender e da estrutura necessária para manter o negócio funcionando.
Empresas brasileiras já consolidadas podem avaliar a expansão internacional por meio de unidades relacionadas, enquanto investidores com nacionalidade elegível ao E-2 podem considerar a abertura ou aquisição de empreendimentos americanos.
O planejamento também precisa acompanhar a transição da reforma tributária brasileira, prevista entre 2026 e 2033, especialmente quando houver operações comerciais nos dois países.
Antes de investir, é fundamental calcular o capital necessário, projetar receitas e despesas, avaliar a tributação e verificar se a estrutura empresarial atende aos objetivos comerciais e migratórios. O faturamento em dólar pode ser uma vantagem, mas não elimina os riscos de operar em outro mercado.
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