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Responsabilidade Social • 15:36h • 12 de abril de 2026

Abelhas nativas sofrem mais com pesticidas e ficam fora das regras de proteção no Brasil

Estudo aponta maior sensibilidade das espécies sem ferrão, essenciais para a polinização e a produção agrícola

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Unesp | Foto: Roberta Nacolli

Abelhas uruçu-nordestina (Melipona scutellaris) | Foto: Roberta Nocelli
Abelhas uruçu-nordestina (Melipona scutellaris) | Foto: Roberta Nocelli

As abelhas nativas sem ferrão, fundamentais para a polinização de lavouras e ecossistemas naturais, estão mais vulneráveis aos efeitos de pesticidas e não são contempladas diretamente pelas legislações atuais. A constatação é reforçada por especialistas e por um estudo recente que analisou a sensibilidade dessas espécies em comparação com a abelha Apis mellifera, base para a maioria das normas vigentes.

Reconhecidas por seu papel essencial na produção agrícola, as abelhas atuam na transferência de pólen entre flores, contribuindo para o aumento da produtividade e para o equilíbrio ambiental. Mesmo com essa importância, durante o processo de polinização, esses insetos entram em contato com pesticidas aplicados nas lavouras, o que pode levar substâncias tóxicas para dentro das colmeias e provocar a morte de populações inteiras.

No Brasil, a regulamentação sobre o uso de pesticidas considera principalmente a Apis mellifera, espécie amplamente utilizada na produção de mel e resultado do cruzamento de abelhas europeias e africanas. Já as abelhas nativas, conhecidas como meliponíneos, não possuem proteção específica nas normas, apesar de sua relevância ecológica.

Um estudo publicado no periódico Pesticide Biochemistry and Physiology, conduzido por pesquisadores da Unesp em parceria com a Universidade Southern Cross, da Austrália, analisou 115 experimentos de toxicidade envolvendo abelhas sem ferrão. Em 72% dos casos, essas espécies apresentaram maior sensibilidade aos pesticidas em relação à Apis mellifera, indicando que os critérios atuais podem não refletir adequadamente os riscos reais.

Favo de Apis mellifera, grandes produtoras de mel, com cria e operárias jovens responsáveis por alimentar as larvas e a rainha com geleia real. (Créditos: Fototeca Cristiano Menezes, FCM)

Os pesquisadores destacam que o objetivo não é questionar o uso de pesticidas, mas chamar atenção para a necessidade de uma aplicação mais racional e baseada em diferentes espécies. A principal preocupação é evitar impactos excessivos sobre polinizadores, que desempenham papel central tanto na agricultura quanto na manutenção da biodiversidade.

A autora principal do estudo, Isabella Lippi, ressalta que os resultados reforçam a importância de ampliar o olhar das políticas públicas e das práticas agrícolas. Segundo ela, considerar apenas uma espécie como referência pode limitar a eficácia das medidas de proteção e aumentar a vulnerabilidade de outros grupos de abelhas.

O tema ganha relevância em um cenário em que a sustentabilidade da produção agrícola depende diretamente da preservação dos polinizadores. Ajustes em normas e práticas podem contribuir para equilibrar produtividade e conservação ambiental, reduzindo riscos para espécies essenciais ao funcionamento dos ecossistemas.

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