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Variedades • 08:23h • 02 de junho de 2026

A geração dos fones: volume alto e horas de uso preocupam médicos

Exposição prolongada a volumes altos pode provocar danos silenciosos e irreversíveis na audição

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Dampress Assessoria | Foto: Arquivo

Uso excessivo de fones preocupa médicos após aumento de sinais de perda auditiva em jovens
Uso excessivo de fones preocupa médicos após aumento de sinais de perda auditiva em jovens

O uso frequente de fones de ouvido passou a acender um alerta entre especialistas em saúde auditiva. Médicos vêm observando aumento de sinais precoces de desgaste da audição em jovens adultos e adolescentes, cenário associado principalmente à exposição prolongada a sons altos durante atividades cotidianas como ouvir música, assistir vídeos, estudar, jogar online e participar de chamadas virtuais.

Segundo o médico otorrinolaringologista Francisco Leite dos Santos, o problema não está no uso do fone em si, mas na intensidade do volume e no tempo contínuo de exposição sonora. Ele explica que muitas pessoas passam várias horas por dia utilizando os dispositivos, frequentemente em níveis elevados para competir com ruídos externos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de um bilhão de jovens no mundo estejam em risco de desenvolver perda auditiva relacionada a hábitos inseguros de escuta.

Danos podem surgir de forma silenciosa

De acordo com especialistas, os prejuízos à audição costumam acontecer de forma gradual e muitas vezes passam despercebidos nos primeiros anos.

O ouvido interno possui células sensoriais responsáveis por transformar os sons em sinais interpretados pelo cérebro. Essas estruturas são delicadas e praticamente não possuem capacidade de regeneração. Quando expostas repetidamente a sons intensos, podem sofrer lesões permanentes.

Entre os sinais iniciais mais comuns estão zumbido, sensação de ouvido abafado, dificuldade para entender conversas em ambientes barulhentos e necessidade constante de aumentar o volume dos aparelhos.

Outro efeito relatado é a chamada fadiga auditiva, quando o cérebro passa a fazer mais esforço para compreender sons e falas ao longo do dia, impactando concentração e qualidade de vida.

Especialistas defendem uso mais seguro

Apesar da preocupação crescente, médicos reforçam que os fones de ouvido não precisam ser evitados completamente. O foco principal está na adoção de hábitos mais seguros de escuta.

Uma das orientações mais conhecidas é a chamada “regra 60/60”: utilizar os aparelhos com até cerca de 60% do volume máximo por no máximo 60 minutos contínuos antes de fazer pausas.

O uso de modelos com cancelamento de ruído também pode ajudar em alguns ambientes, já que reduz a necessidade de aumentar excessivamente o volume para superar sons externos.

Além disso, especialistas recomendam atenção aos sinais do próprio corpo. Episódios frequentes de zumbido, sensação de ouvido tampado ou desconforto auditivo após uso prolongado de fones não devem ser tratados como algo normal.

Mudanças de hábito podem evitar problemas futuros

Segundo Francisco Leite dos Santos, a audição é um processo sensível à exposição sonora acumulada ao longo da vida. Por isso, pequenas mudanças adotadas ainda na juventude podem ajudar a reduzir riscos de perda auditiva no futuro.

O avanço do uso de dispositivos pessoais e o aumento do tempo conectado transformaram os fones em parte constante da rotina moderna, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. Para especialistas, o desafio agora é equilibrar tecnologia e hábitos saudáveis antes que os danos se tornem permanentes.

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