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Variedades • 13:12h • 14 de janeiro de 2026

79% dos hobbies de adolescentes são digitais e ampliam a exposição à violência sexual on-line

Férias escolares aumentam o tempo de tela e elevam riscos de abordagens abusivas contra crianças e adolescentes na internet

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da DePropósito Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Uso intenso da internet nas férias expõe jovens a riscos de violência sexual
Uso intenso da internet nas férias expõe jovens a riscos de violência sexual

Janeiro, período das férias escolares, concentra mais tempo livre para crianças e adolescentes e, com isso, amplia a permanência diante de celulares, computadores e videogames. O uso prolongado de jogos on-line, redes sociais e aplicativos, muitas vezes sem supervisão adequada, aumenta a exposição a situações de vulnerabilidade e aos riscos da violência sexual on-line, inclusive quando o acesso ocorre dentro de casa.

Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, indicam que 23% das crianças e adolescentes brasileiros sofreram algum tipo de violência sexual on-line entre 2022 e 2023. Nesse período, 76% das vítimas eram meninas e 87% dos agressores, homens. O Disque 100 registrou 6.364 denúncias de violência sexual on-line contra crianças e adolescentes.

O cenário é reforçado por estudo do ChildFund Brasil, intitulado Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet. A pesquisa ouviu mais de 8 mil adolescentes de 13 a 18 anos, em todas as regiões do país, com maior concentração no Nordeste e no Sudeste. O levantamento mostra que 54% afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência sexual on-line, enquanto 20% relataram interação com pessoas desconhecidas ou consideradas suspeitas nesses ambientes virtuais. Outro dado relevante é que 94% dos adolescentes disseram não saber como denunciar esse tipo de violência, o que evidencia falhas no acesso à informação e nos mecanismos de proteção.

O estudo também aponta que 79% dos hobbies dos adolescentes são digitais, indicando redução significativa das interações presenciais. Entre os aplicativos mais utilizados estão Instagram e TikTok. Para Mauricio Cunha, mesmo quando não há violência explícita, a interação com desconhecidos já representa risco. Segundo ele, muitos adolescentes não conseguem identificar abordagens perigosas, o que reforça a necessidade de acompanhamento de pais, mães e responsáveis, especialmente durante as férias.

Desenvolvimento infantil e limites ao uso de telas

A preocupação com o excesso de telas começa ainda na primeira infância. A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças menores de dois anos não tenham contato com telas, devido ao risco de atrasos no desenvolvimento cognitivo e psicomotor, além de impactos no sono e no rendimento escolar. Esses prejuízos tendem a se intensificar quando o tempo on-line substitui atividades práticas e interações presenciais.

De acordo com o ChildFund, apenas 21% dos adolescentes praticam hobbies off-line, como desenhar, passear ou praticar esportes. Para Cunha, atividades ao ar livre, leitura, esportes e convivência com amigos contribuem diretamente para o desenvolvimento socioemocional e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, tanto na infância quanto na adolescência.

Orientações para ampliar a proteção on-line

Mesmo com acompanhamento familiar, algumas medidas são consideradas fundamentais para reduzir riscos:

  • Controle parental: ativar ferramentas que limitem tempo de uso, downloads e acesso a conteúdos conforme a idade;
  • Atenção aos sinais: mudanças de comportamento, como isolamento, medo, vergonha, culpa ou baixa autoestima, podem indicar situações de abuso;
  • Diálogo e confiança: manter comunicação aberta e acolhedora facilita relatos precoces de situações de risco;
  • Abordagem preventiva: orientar, de forma adequada à idade, sobre contatos com estranhos e pedidos de fotos ou informações pessoais;
  • Estabelecimento de limites: definir horários para o uso da internet e priorizar momentos em família e atividades ao ar livre;
  • Busca por apoio especializado: psicólogos, educadores e especialistas em educação digital podem apoiar famílias diante do uso excessivo de telas.

Com a predominância de hobbies digitais entre adolescentes e o aumento das denúncias de violência sexual on-line, o período de férias reforça a necessidade de atenção contínua. Informação, acompanhamento e limites claros são elementos centrais para reduzir riscos e promover um ambiente digital mais seguro para crianças e adolescentes.

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