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Mundo • 13:45h • 29 de novembro de 2024

31,9% dos municípios ainda utilizam lixões, aponta IBGE

Dados levantados pelo IBGE referentes a 2023 mostram que após 14 anos da promulgação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, 31,9% dos municípios brasileiros ainda utilizam lixões como unidade de disposição final de resíduos

Da Redação com informações de Agência Gov e IBGE | Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Cerca de um terço dos municípios brasileiros utilizavam lixão para descarte de resíduos
Cerca de um terço dos municípios brasileiros utilizavam lixão para descarte de resíduos

Apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em 2010, estipular prazos para a destinação ambientalmente adequada de resíduos, 31,9% dos municípios brasileiros ainda utilizam lixões como forma de disposição final, aponta a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (MUNIC) 2023, divulgada pelo IBGE na quinta-feira (28). Apenas 28,6% adotam aterros sanitários, a opção mais adequada, enquanto 18,7% recorrem a aterros controlados.

A situação varia por região: lixões ainda predominam em 73,8% dos municípios do Norte, 51,6% no Nordeste e 52,9% no Centro-Oeste, enquanto no Sudeste e Sul os índices caem para 12,1% e 5,7%, respectivamente.

Prazos não cumpridos

O Artigo 54 da PNRS estabeleceu prazos para eliminação de lixões, variando conforme o tamanho populacional e localização dos municípios, com prazo final em agosto de 2024 para municípios com até 50 mil habitantes. No entanto, entre municípios com mais de 50 mil habitantes, 21,5% ainda utilizavam lixões no período analisado (setembro de 2023 a março de 2024).

Entre esses municípios maiores, as diferenças regionais são significativas: 57,7% dos municípios do Norte mantêm lixões, contra apenas 7% no Sudeste e 1,8% no Sul.

Coleta seletiva avança, mas desafios persistem

A coleta seletiva está presente em 60,5% dos municípios brasileiros, segundo o levantamento. O Sul lidera com 81,9% de cobertura, enquanto o Norte apresenta apenas 33,5%. Apesar disso, 56,7% dos municípios afirmaram possuir instrumentos legais relacionados à coleta seletiva, indicando avanços na regulamentação.

Já cerca de 73,7% dos municípios brasileiros contam com catadores informais de materiais recicláveis, enquanto apenas 27% possuem entidades formalizadas de catadores atuando na coleta seletiva. O Sudeste lidera em formalização, com 33,5% dos municípios contando com essas entidades, enquanto o Norte apresenta o menor índice, 16,7%.

Drenagem e manejo de águas pluviais

A infraestrutura de drenagem está presente em 96% dos municípios, com predominância no Sudeste (99,6%). No Nordeste, o percentual cai para 89,3%, influenciado por estados como o Piauí, onde apenas 47,8% dos municípios têm dispositivos de drenagem. A pesquisa também destaca o uso incipiente de soluções baseadas na natureza, como jardins de chuva e parques lineares, adotadas em apenas 24,5% dos municípios.

Avanços no saneamento básico

O número de municípios com Política Municipal de Saneamento Básico cresceu de 38,2% em 2017 para 55,9% em 2023. Contudo, apenas 30,8% possuem uma Política Municipal de Educação Ambiental, essencial para promover conscientização sobre práticas sustentáveis.

A pesquisa MUNIC 2023 detalha a gestão de resíduos sólidos e drenagem nos 5.570 municípios brasileiros, incluindo informações sobre legislação, coleta seletiva, logística reversa e soluções sustentáveis. Os resultados refletem avanços pontuais, mas também a necessidade urgente de investimentos e maior compromisso com o cumprimento da PNRS.








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