Política • 14:07h • 18 de setembro de 2026
30 milhões deixaram de votar e pesquisa investiga o que existe por trás da abstenção
Estudo relaciona enfraquecimento dos vínculos sociais à abstenção eleitoral e identifica jovens de 18 a 34 anos como parcela expressiva do grupo classificado como desvinculado
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
Solidão, exaustão e dependência digital aparecem associadas ao afastamento de parte dos brasileiros das urnas, segundo a pesquisa Termômetro do Bem Viver, realizada por um projeto da Plataforma Avaaz em parceria com o Datafolha e divulgada nesta semana. O levantamento relacionou vínculos comunitários, convivência social e contato com a natureza ao interesse pela participação política.
Segundo o estudo, cerca de 30 milhões de eleitores deixaram de votar nos últimos pleitos. A pesquisa procurou investigar fatores que vão além da desilusão com a política e identificou entre os entrevistados sinais de isolamento, esgotamento mental e uso intenso de televisão e redes sociais.
Quase metade dos brasileiros enquadrados nesse comportamento, 47%, foi classificada pelo levantamento como “desvinculada”. O grupo reúne pessoas que já deixaram de votar ou comparecem raramente às urnas. Entre elas, três em cada dez teriam desistido de votar em razão dessa falta de vínculo.
Jovens aparecem com força entre os desvinculados
A faixa dos 18 aos 34 anos representa 44% dos desvinculados, segundo o Termômetro do Bem Viver. Apenas dois em cada dez jovens pesquisados afirmaram ter conexão comunitária e se sentir bem.
A interpretação apresentada pelos responsáveis pela pesquisa é que jornadas extensas de trabalho, pouco tempo disponível para lazer e convivência e o uso excessivo de plataformas digitais podem contribuir para o enfraquecimento dessas relações.
O estudo também associa maior presença de vínculos sociais a uma percepção mais favorável da democracia. A proposta da pesquisa foi observar indicadores de qualidade de vida menos presentes em levantamentos concentrados principalmente em consumo, condições materiais e desempenho econômico.
Convívio, lazer e menos dependência digital
Entre os caminhos defendidos pelo projeto estão políticas de Bem Viver, com ampliação do acesso à cultura, lazer, natureza e espaços urbanos que favoreçam a convivência.
O levantamento também chama atenção para a dependência digital e para mecanismos das plataformas capazes de prolongar o tempo de utilização, como a rolagem infinita. Na avaliação dos responsáveis pelo estudo, recuperar vínculos sociais e melhorar aspectos concretos da vida cotidiana pode contribuir para que pessoas hoje afastadas voltem a perceber sentido na participação coletiva.
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